Oculta simpatia

“Que oculta simpatia terá conosco o mal, que antes o queremos seguir por entre espinhos, do que ao bem por entre rosas? […] Compramos o vício à custa de trabalhos e aflições; a virtude não a queremos de graça”

Matias Aires em Reflexões sobre a vaidade dos homens

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Sentimentalismo

“Em um estado de sentimentalismo, certamente do tipo vivido em público, a pessoa é mais comovida pelo fato de ser comovida do que por aquilo que supostamente a está comovendo. Além disso, está interessada em que todos vejam o quão comovida está. O trigo do sentimento genuíno é logo perdido no joio das considerações secundárias; e, tendo o exagero uma lógica própria, o joio tende a aumentar.”

Theodore Dalrymple em Podres de mimados

Uma atitude diante do mundo

“Mas a fé não é o mesmo que religião. Trata-se de uma atitude diante do mundo, uma atitude que se recusa a ficar contente com a contingência da natureza. A fé olha além da natureza, perguntando a si mesma sobre o que é exigido de mim como modo de agradecimento a esse dom. Ela não lida com a teologia; é aberta a Deus e está ativamente envolvida no processo de dar espaço para Ele, o processo que Scheler chamava de Gottwerdung, algo como “o tornar-se Deus”.”

Roger Scruton em A alma do mundo

Característica permanente

“A Queda não aconteceu em um momento particular no tempo; é uma característica permanente da condição humana. Ficamos suspensos entre liberdade e mecanismo, sujeito e objeto, fim e meios, beleza e feiura, santidade e profanação. E todas essas distinções derivam do mesmo fato derradeiro: podemos viver abertos aos outros, responsabilizando-nos pelas nossas ações e exigindo uma responsabilidade deles, ou então, como alternativa, nos fechar aos outros, aprendendo a olhá-los como objetos, para recuar da ordem da aliança para a ordem da natureza.”

Roger Scruton em A alma do mundo

Experiência da beleza

“A degradação ambiental vem exatamente da mesma forma que a degradação moral, através das pessoas e dos lugares representados de maneira impessoal, como objetos a serem usados em vez de sujeitos a serem respeitados. O senso de beleza coloca um freio na destruição, ao representar o seu objeto como algo insubstituível. Quando o mundo volta-se para mim com os meus olhos, como ocorre na experiência estética, ele também se dirige à minha pessoa de outro modo. Algo me é revelado, me faz ficar diante dele e absorvê-lo. É claro que não faz nenhum sentido sugerir que existem ninfas nas árvores e dríades nos bosques. O que me é revelado na experiência da beleza é uma verdade fundamental sobre ser – que ser é um dom.”

Roger Scruton em A alma do mundo

Direção certa

“[…] a caminhada na direção certa leva não só à paz, mas também ao conhecimento. Quando um homem melhora, torna-se cada vez mais capaz de perceber o mal que ainda existe dentro si. Quando um homem piora, torna-se cada vez menos capaz de captar a própria maldade. Um homem moderadamente mau sabe que não é muito bom; um homem completamente mau acha que está coberto de razão. Nós sabemos disso intuitivamente. Entendemos o sono quando estamos acordados, não quando adormecidos. Percebemos os erros de aritmética quando nossa mente está funcionando direito, não no momento em que os cometemos. Compreendemos a natureza da embriaguez quando estamos sóbrios, não quando bêbados. As pessoas boas conhecem tanto o bem quanto o mal; as pessoas más não conhecem nenhum dos dois.”

C. S. Lewis em Cristianismo puro e simples

A parte central

“Seria melhor dizer que, toda vez que tomamos uma decisão, tornamos um pouco diferente a parte central do nosso ser, a responsável pela decisão tomada. Considerando então nossa vida como um todo, com as inúmeras escolhas feitas ao longo do caminho, aos poucos vamos tornando esse elemento central numa criatura celeste ou numa criatura infernal: uma criatura em harmonia com Deus, com as outras criaturas e consigo mesma, ou uma criatura cheia de ódio e em pé de guerra com Deus, com as outras criaturas e consigo mesma. Ser uma criatura do primeiro tipo é o paraíso, é alegria, paz, conhecimento e poder. Ser do segundo tipo é a loucura, o horror, a idiotia, a raiva, a impotência e a solidão eterna. Cada um de nós, a cada momento, progride em direção a um estado ou ao outro.”

C. S. Lewis em Cristianismo puro e simples