Li em 2018

1- A traição dos intelectuais
Julien Benda

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A história sorrirá

“E a partir de então, unificada em um imenso exército, em uma imensa fábrica, não conhecendo mais senão heroísmos, disciplinas e invenções, desacreditando toda atividade livre e desinteressada, desistindo de por o bem para além do mundo real e tendo por deus somente ela mesma e suas vontades, a humanidade alcançará grandes realizações, quero dizer, um domínio realmente grandioso sobre a matéria que a cerca, uma consciência realmente satisfeita com seu poder e sua grandeza. E a história sorrirá de pensar que Sócrates e Jesus Cristo morreram por essa espécie.”

Julien Benda em A traição dos intelectuais

Oculta simpatia

“Que oculta simpatia terá conosco o mal, que antes o queremos seguir por entre espinhos, do que ao bem por entre rosas? […] Compramos o vício à custa de trabalhos e aflições; a virtude não a queremos de graça”

Matias Aires em Reflexões sobre a vaidade dos homens

Sentimentalismo

“Em um estado de sentimentalismo, certamente do tipo vivido em público, a pessoa é mais comovida pelo fato de ser comovida do que por aquilo que supostamente a está comovendo. Além disso, está interessada em que todos vejam o quão comovida está. O trigo do sentimento genuíno é logo perdido no joio das considerações secundárias; e, tendo o exagero uma lógica própria, o joio tende a aumentar.”

Theodore Dalrymple em Podres de mimados

Uma atitude diante do mundo

“Mas a fé não é o mesmo que religião. Trata-se de uma atitude diante do mundo, uma atitude que se recusa a ficar contente com a contingência da natureza. A fé olha além da natureza, perguntando a si mesma sobre o que é exigido de mim como modo de agradecimento a esse dom. Ela não lida com a teologia; é aberta a Deus e está ativamente envolvida no processo de dar espaço para Ele, o processo que Scheler chamava de Gottwerdung, algo como “o tornar-se Deus”.”

Roger Scruton em A alma do mundo

Característica permanente

“A Queda não aconteceu em um momento particular no tempo; é uma característica permanente da condição humana. Ficamos suspensos entre liberdade e mecanismo, sujeito e objeto, fim e meios, beleza e feiura, santidade e profanação. E todas essas distinções derivam do mesmo fato derradeiro: podemos viver abertos aos outros, responsabilizando-nos pelas nossas ações e exigindo uma responsabilidade deles, ou então, como alternativa, nos fechar aos outros, aprendendo a olhá-los como objetos, para recuar da ordem da aliança para a ordem da natureza.”

Roger Scruton em A alma do mundo

Experiência da beleza

“A degradação ambiental vem exatamente da mesma forma que a degradação moral, através das pessoas e dos lugares representados de maneira impessoal, como objetos a serem usados em vez de sujeitos a serem respeitados. O senso de beleza coloca um freio na destruição, ao representar o seu objeto como algo insubstituível. Quando o mundo volta-se para mim com os meus olhos, como ocorre na experiência estética, ele também se dirige à minha pessoa de outro modo. Algo me é revelado, me faz ficar diante dele e absorvê-lo. É claro que não faz nenhum sentido sugerir que existem ninfas nas árvores e dríades nos bosques. O que me é revelado na experiência da beleza é uma verdade fundamental sobre ser – que ser é um dom.”

Roger Scruton em A alma do mundo