Admiração de mim mesmo

“Até me acontece que sou pior no pouco bem que faço, porque a alma que deste escasso bem se orgulha e infla, tira deles falsos motivos de segurança e abandona-se à preguiça. Muitas vezes louvei minha própria pessoa e obras; sempre desejei meu louvor nos outros, e quando, sem pretendê-lo, me vi louvado por outros, me agradei pelo elogio. À medida que o orgulho ia crescendo em mim, apresentava-se em minha memória uma multidão de obras por mim realizadas, para que delas me orgulhasse também. E eu, considerando todas essas coisas, amontoando-as em meu pensamento, inflava mais e mais meu orgulho, e, na admiração de mim mesmo, e glorificando-me por meus talentos em vez de dar glória a Deus, de quem tudo recebi, perdi o fruto de todo bem que fiz, reconhecendo então, que todos os que me louvavam não buscavam outra coisa que minha perdição. Porque, quanto mais o homem se glorifica a si mesmo, mas se afasta dele o amor de Deus.”

Bernardo de Claraval em Tratado da consciência ou Do conhecimento de si mesmo

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