Ainda não amadureceu

“[…] o amor provado, indiscutível, não só confirma ou corrobora no ser aquele a quem se dirige, mas o faz com tal franqueza e radicalidade que o ser amado passa a ser imprescindível para tudo, desde as coisas mais pequenas e aparentemente instranscendentes até o conjunto do universo (também neste sentido é o nosso “todo”).
Ortega y Gasset expôs este aspecto com mestria, no parágrafo que reproduzimos a seguir dos seus Estudios sobre el amor: “Amar uma pessoa é estar empenhado em que exista; não admitir, na medida em que de nós dependa, a possibilidade de um universo do qual essa pessoa esteja ausente”.
Em função disso, poderíamos formular uma questão prática de enorme calado existencial. Poderíamos perguntar sobretudo aos esposos (e, de certa forma, também aos noivos): “Você é capaz de conceber a sua vida sem o seu cônjuge? Você consegue imaginar-se vivendo com relativa normalidade se ele ou ela vierem a faltar?”
Não se trata de que você não consiga refazer-se, com a ajuda de Deus e das restantes pessoas que lhe querem bem e lhe dão consolo, se por infelicidade vier a perder o marido ou a mulher; mas de que agora mesmo, neste preciso instante, você se sinta capaz de continuar a viver sem aquele a quem diz amar com loucura, que consiga imaginar-se sem ele. Se você responder que sim, que conseguiria, talvez seja o caso de suspeitar que o seu amor ainda não amadureceu tanto quanto seria de desejar.”

Tomás Melendo em O que significa amar?

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