O homem contemporâneo

“É verdade que, em culturas religiosas como a da Idade Média, o homem comum também via Deus como pai e mãe protetores. Mas, ao mesmo tempo, levava Deus a sério, no sentido de que o objetivo principal de sua vida era viver de acordo com os princípios divinos, fazendo da “salvação” a preocupação suprema à qual todas as demais atividades se subordinavam. Hoje nenhum esforço assim está presente. A vida cotidiana é estritamente separada de qualquer valor religioso. Ela é dedicada à busca do conforto material e do sucesso no mercado das personalidades. Os princípios sobre os quais nossos esforços seculares são construídos são os da indiferença e do egoísmo (este último costuma ser rotulado de “individualismo” ou “iniciativa individual”). O homem das culturas verdadeiramente religiosas pode ser comparado com uma criança de 8 anos de idade, que precisa da proteção do pai, mas começa a adotar seus ensinamentos e princípios em sua vida. O homem contemporâneo se parece mais com uma criança de três, que grita pelo pai quando precisa dele, mas, se pode brincar, se mostra totalmente autossuficiente.”

Erich Fromm em A arte de amar

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