Em nome da Terra

“Por fim saímos da água e os deuses olharam-nos, humilhados na sua inutilidade. Uma nova raça divina ergueu-se em nós. Poderosos imensos. Trazíamos uma mensagem dos confins das eras, a Terra esperava-nos. Trazíamos a notícia de um corpo incorruptível e perfeito.
– Jura-me que nunca hás-de de envelhecer – disse-te.
– Juro.
– E que nunca hás-de morrer.
– Sim.
– E que a beleza estará sempre consigo. E a glória. E a paz.
– Juro.
Então baixei-me ao rio e trouxe água nas mãos em concha. E derramei-ta na cabeça imensamente. E disse, e disse
– Eu te baptizo em nome da Terra, dos astros e da perfeição.
E tu disseste João sacrílego. E eu disse agora podemo-nos vestir.”

Vergílio Ferreira em Em nome da Terra

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