Não existe amor mudo

“Se vos amo, far-vos-ei a confidência do meu ser profundo, mas não farei tal confidência sem que vos ame. Não há confidência sem amor (não vou dizer a um desconhecido na rua que lhe vou contar toda a minha vida) e, reciprocamente, não há amor sem confidência (não imagino um namorado a dizer à namorada: amo-te, mas não saberás nada a meu respeito). Nada mais emocionante, por outro lado, que a passagem do companheirismo à amizade que se faz precisamente pela troca de confidências; e, para além da amizade, no amor, a confidência torna-se cada vez mais profunda até à transparência.
[…]
Não existe amor mudo. A oração é a expressão do amor tal como, no mundo, a confidência é a expressão do amor. E se me disserem que dois namorados podem permanecer mudos um ao lado do outro durante muito tempo, direi que, nesse caso, o mutismo é a suprema qualidade da palavra. Não há nada sem expressão: o que não se exprime degrada-se e acaba por não existir. A oração é a expressão da fé.”

François Varillon em Alegria de crer e de viver

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