Homem natural e homem espiritual

“A independência, que é a condição da individualidade, é, ao mesmo tempo a tentação eterna do indivíduo. O que faz o que somos, é também o que nos faz pecadores. Levamos, pois, o pecado na medula, corre em nós como o sangue em nossas veias, está misturado em toda nossa substância. Ou para melhor dizer: a tentação é o nosso estado natural, mas o pecado não é necessário. O pecado consiste na confusão voluntária da boa com a má independência; tem por causa a semi-indulgência outorgada a um primeiro sofisma. Cerramos os olhos ante os inícios do mal, porque são pequenos, e nessa debilidade encontra-se em germe a nossa derrota.
Não queremos outro amo senão o nosso capricho; o que equivale a dizer que o nosso eu mau não quer Deus, que o fundo da nossa natureza é sedicioso, ímpio, insolente, refratário, contraditor e menosprezador de tudo o que intenta dominá-lo, consequentemente contrário à ordem, ingovernável e negativo. A esse fundo é que chama o cristianismo de homem natural.
Mas o selvagem que existe em nós e que é nossa primeira natureza deve ser disciplinado, policiado, civilizado para dar um homem. E o homem deve ser cultivado para tornar-se um sábio. E o sábio deve ser experimentado para tornar-se um justo. E o justo deve ter substituído a sua vontade individual pela vontade de Deus para tornar-se um santo. E esse homem novo, esse regenerado, é o homem espiritual, é o homem celeste, de que falam os Vedas e o Evangelho, os magos e os neoplatônicos.”

Amiel em Diário Íntimo

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