A questão ainda se coloca

“Há ainda um fato inexplicável racionalmente, que ultrapassa as fronteiras do improvável. Tudo deveria ter se detido com a pedra rolada no sepulcro de José de Arimateia, cavado perto de um jardim, às portas de Jerusalém. Abatidos depois da detenção de seu mestre e da tragédia do Gólgota, os discípulos estavam aniquilados por sua morte ignominiosa sobre uma viga de madeira. Ora, estranhamente, tudo começou aí. Esse grupo de fugitivos amedrontados metamorfoseou-se subitamente em um grupo não de fanáticos hipnotizados, mas de homens livres, ardentes, com convicção, prontos a dar sua vida para anunciar por toda parte a Boa Nova. Surpreendidos por um acontecimento inesperado – o deslumbramento pascal -, cheios de alegria e de admiração, repletos de certeza absoluta, a de ter encontrado o seu mestre vivo, de tê-lo visto depois de sua morte, de tê-lo tocado, de ter comido em sua companhia, eles se tornaram testemunhas radiosas de uma verdade libertadora, persuadidos de que a cruz não era o fim, mas, ao contrário, o começo da Esperança. Graças a eles, o movimento missionário assumirá uma amplitude planetária. Como acreditar que tenham sido fabuladores banais, mitômanos, vítimas de alucinações? Existe nisso um fenômeno único, que o historiador, munido apenas de sua ciência, não pode penetrar. Desse ponto de vista, o Jesus da história, a quem os discípulos remetem, permanece um enigma, um mistério insondável. “Mas vós […] quem dizeis que eu sou?”, ele lhes havia perguntado. Quase dois mil anos mais tarde, a questão ainda se coloca. Cabe a cada um responder a isso, com consciência.”

Jean-Christian Petitfils em Jesus, a biografia

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