Para não ver a solidão

“Nós nos conformamos com a desesperança com muita dificuldade, com o fato de que somos sós, mortal e desesperadoramente sós. Muito poucos suportam saber que não há solução para a solidão da vida. As pessoas esperam, se atropelam, se refugiam nas relações humanas, e nessas tentativas de fuga não se fazem acompanhar de paixão verdadeira nem de entrega, refugiam-se em ocupações, em tarefas artificiais, trabalham muito, viajam segundo planos, levam vida social intensa, compram mulheres com quem não têm nenhuma ligação, ou começam a colecionar leques, pedras preciosas ou insetos raros… Mas isso tudo não ajuda. Enquanto fazem isso tudo elas sabem perfeitamente que nada ajuda. E continuam a abrigar esperanças. Elas próprias não sabem em que confiar… – sabem bem que mais dinheiro, a coleção de insetos exemplar, a nova amante, o novo conhecido interessante, a noite magnífica ou a garden party retribuída em nada ajudam… Por isso, antes de tudo, em meio ao mal-estar e ao constrangimento, mantêm disciplinada a vida em torno delas. “Resolvem” alguma coisa o tempo todo, documentações, relações sociais ou encontros amorosos… Só não ficam a sós consigo mesmas por um único momento! Para não ver a solidão por um único instante!”

Sándor Márai em De verdade

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