Justiça e liberdade

“Você deve ter percebido que desde o início venho afirmando que Deus não é o Deus do igualitarismo fardado e absolutista. O igualitarismo não deu certo em nenhum lugar do mundo. Em Cuba, no tempo do “Che”, o projeto gerou ociosidade, improdutividade e injustiça: pois alguns trabalhavam muito e outros recebiam a mesma medida. O próprio Fidel Castro está reconhecendo isso agora.
Na União Soviética o mesmo se deu. O líder Mikhail Gorbachev disse no seu discurso de 6 horas seguidas no início de 86, que o igualitarismo está obsoleto, e que ele só gerou burocracia, funcionalismo, parasitismo, corrupção (porque os ambiciosos arranjaram maneiras de ganhar mais do que o nível instituído, através dos mercados negros de “quase tudo” na União Soviética) e esclerosamento funcional.
Não era preciso esperar tanto para saber que isso era inevitável e não daria certo. Bastava que se tivesse crido na política econômica do Reino de Deus: igualdade proporcional, praticada com a consciência de que a fronteira da liberdade de ter vai até onde o ter não implica no empobrecer do meu próximo.
Liberdade e justiça têm que andar juntas! Liberdade sem justiça se converte imediatamente em libertinagem do ego e orgia econômica da sociedade. E justiça sem liberdade é injustiça mascarada pelo igualitarismo que ora premia os ociosos, ora suprime os direitos do homem.
A justiça é a fronteira da liberdade e liberdade é o âmago da justiça.
Diante disso fica claro que o cristão não pode nortear sua filosofia de administração dos recursos por nenhum dos dois “esquemas econômicos” que dividem este mundo. Ambos são corrompidos.
No capitalismo que apregoa a liberdade, falta a visão de que a liberdade não pode acontecer às custas dos outros, especialmente dos pobres a da matéria-prima do 3° mundo. Já o comunismo que apregoa a justiça, peca por suprimir as liberdades e não recompensar de modo justo – logicamente para ser justo não pode ser exacerbado – o trabalho e o esforço dos que mais se afadigam. Além disso, peca também por não dar ao homem direito à voz. É estranho: no primeiro sistema os líderes fecham os ouvidos para não ouvirem os clamores. No segundo, eles fecham as bocas das pessoas para que elas não falem. Em ambos o silêncio é a lei.”

Caio Fábio,
Uma graça que poucos desejam, 1986

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