Na busca da verdade

“se a pessoa procurar anular o self na busca da verdade, se pretender chegar às suas conclusões como um juiz desencarnado, que tudo fiscaliza do alto do Olimpo, será vítima de uma ilusão ainda maior. Admitindo que sua verdade seja absoluta e não influenciada por interesses pessoais, em vez de julgá-la como sua maneira mais sincera de se aproximar da verdade, talvez venha a tornar-se perigosamente dogmática. Somente questões técnicas podem ser exatas quando abstraídas das necessidades imediatas, desejos e lutas dos seres humanos nelas envolvidos. Na verdade, uma das maneiras mais comuns de se evitar distinguir a verdade – a especial forma de “resistência” em geral usada por intelectuais submetidos à análise – é transformar o problema num princípio abstrato e lógico, racionalizando com inteligência e chegando a uma conclusão ótima na aparência e, portanto, fascinante. Contudo, mais tarde descobre-se que toda aquela brilhante racionalização não resolveu na verdade o problema; era precisamente um modo de evitá-lo.”

Rollo May em O homem à procura de si mesmo

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