Conhecendo e sentindo o próprio acanhamento

“Nesse instante o príncipe realmente olhava muito fixo para ela, notando que ela mais uma vez começava a corar intensamente. Em casos semelhantes, quanto mais ela corava parecia que mais se zangava consigo mesma por isso, o que se expressava visivelmente nos olhos flamejantes; de hábito, um minuto depois ela já transferia toda a sua ira para aquele com quem conversava, tivesse culpa ou não, e começava a brigar com ele. Conhecendo e sentindo a própria ferocidade e o próprio acanhamento, ela costumava entrar pouco na conversa e era mais calada que as irmãs, às vezes até calada demais. Quando, porém, sobretudo em casos tão delicados, via-se forçada a entrar na conversa, começava com uma arrogância fora do comum, como se fizesse algum desafio. Ela sempre pressentia de antemão quando começava ou queria começar a corar.”

Dostoiévski em O idiota

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