Amantes de mortais

“Mortais e amantes de mortais: é o que somos e que nos dilacera. Mas essa dilaceração que nos faz homens, ou mulheres, também é o que dá à vida seu preço mais elevado. Se não morrêssemos, se nossa existência não se destacasse assim contra o fundo tão escuro da morte, seria a vida tão preciosa, rara, perturbadora? “Um pensamento, insuficientemente constante sobre a morte”, escrevia Gide, “nunca deu valor suficiente ao mais ínfimo instante da tua vida.” Portanto é preciso pensar a morte para amar melhor a vida – em todo caso, para amá-la como ela é: frágil e passageira -, para apreciá-la melhor, para vivê-la melhor”.

André Comte-Sponville em Apresentação da Filosofia

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