O imortal

“O tempo, o que me avisando me vem trair, a nuvem de chuva que um dia cai sobre mim sem molhar-me; o tempo em sua devoração de mito, a estraçalhar os fatos com seus dentes de aço, a recolher os restos com suas pinças de fogo, a derramar a tinta amarelada da morte sobre o pano branco dos acontecimentos, a tornar opacas as coisas ainda que nelas more o dia que se foi em reticências.
O tempo, o imortal, insistindo em pulsar do nada, em tensionar o nada ao seu limite. O nada provando o seu excesso.”

Marcia Tiburi em Era meu esse rosto

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