Amar a vida como ela é

“Cumpre amar a vida como ela é, ou não a amar. É aí que reencontro Alain, e Montaigne, e Lucrécio, e Spinoza… Amar: aceitar. Suportar, quando é preciso; alegrar-se, quando se pode. Sabedoria trágica, e é a única que não mente. No fundo é o que Freud denomina o trabalho do luto, e isso é preferível à religião ou à mentira. Antes a verdade amarga do que o xarope da ilusão!

[…]

A realidade é pegar ou largar. E largá-la é pegá-la ainda, ao menos uma última vez, como pegá-la é apenas ainda uma maneira de largá-la… Aquele que só amasse a felicidade não amaria a vida, e com isso se proibiria de ser feliz. O erro é querer selecionar, como nas prateleiras do real. A vida não é um supermercado, cujos clientes seríamos nós. O universo nada tem para nos vender, e nada diferente para oferecer senão ele próprio – nada diferente para oferecer senão tudo.”

André Comte-Sponville em Bom Dia, Angústia!

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