Por que Deus se esconde?

“Por que Deus se esconde? Não porque o forcemos a isso, já que a humanidade não pode obrigar o Todo-Poderoso. A indiferença de Deus não é um julgamento desaprovador a nosso respeito, nem uma punição ou um sinal de sua ira. Faz parte, antes, de sua natureza divina: ele é o Deus que se oculta. E ele se oculta pelo motivo com o qual deparamos repetidas vezes: nossa liberdade. Para sermos bons, temos de escolher sê-lo; mas para escolher devemos ser livres. Sem a liberdade, não existe escolha autêntica; só coerção (como a marionete sacudida pelos fios). Se a presença de Deus na história fosse convincente – plenamente manifesta, nunca duvidosa, sempre à vista -, isso sabotaria nossa liberdade. Deus deve permanecer oculto enquanto a humanidade faz seu trabalho, para que ela possa fazê-lo de forma responsável. É por necessidade, então, que nossa liberdade traz consigo o risco do mal, e não é possível predeterminar que o risco seja evitado. Deus não nos impedirá de sermos maus se essa for nossa opção; ele não vai estender seu braço, agarrar-nos pelo colarinho e reter-nos no momento exato em que estivermos prestes a prejudicar alguém. A malignidade é uma expressão de nossa liberdade tanto quanto a generosidade. Só que não é uma expressão da qual podemos vangloriar-nos.”

Richard Schoch em A história da (in)felicidade

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