Responsabilidade aterradora

“Mas a virtude, como Berkovitz nos recorda, deve ser escolhida livremente, porque nossa escolha é o que importa. Ser virtuoso sob coação – você gostaria de roubar artigos em lojas, mas não o faz porque a câmera do circuito fechado de televisão o flagraria – não é ser virtuoso; apenas obediente. A virtude decorre apenas quando você poderia fazer algo de errado, porém não o faz. (Este é o motivo pelo qual a vigilância é desumanizadora: ela nos rouba a liberdade básica de escolher entre o bem e o mal.) Nossa liberdade de escolher o bem em relação ao mal depende, como Berkovitz insiste, de nossa própria imperfeição. A perfeição não é livre porque não pode divergir de si mesma, a menos que se torne imperfeita. Somente as coisas imperfeitas podem mudar, e é unicamente por esse exato motivo que elas são livres.
Por mais que pareça incrível, nossa liberdade se baseia em nossa falha. Porque somos incitados a tomar decisões e partir para a ação somente quando percebemos a distância entre o mundo do jeito que é e o mundo como poderia ser. O mundo e suas pessoas não são inteiramente bons; porém, podem tornar-se melhores – ou piores. Assim, a esperança de melhora é também uma ameaça de decadência, já que, a qualquer momento, o mundo pode subir de nível ou decair em espiral. Essa é a responsabilidade aterradora da liberdade humana.”

Richard Schoch em A história da (in)felicidade

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