Como água

“Winston já não pensava; era pura sensação. A cintura da garota, cingida pela curva de seu braço, era macia e cálida. Puxou-a para si e os dois ficaram frente a frente com os peitos encostados, e o corpo dela pareceu fundir-se ao dele. Por onde quer que ele passasse as mãos, parecia-lhe que ela se abria como água. Suas bocas se colaram uma à outra; foi bem diferente dos beijos sôfregos que haviam trocado antes. Quando seus rostos afastaram de novo, ambos soltaram suspiros profundos. O passarinho se assustou e alçou voo num estrépito de asas.”

George Orwell em 1984

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