O ciúme

“O ciúme, entenda-se, é um sentimento de grande mesquinhez que combina insegurança afetiva e gosto pela apropriação: termina frequentemente em canibalismo, preferindo devorar simbolicamente o parceiro a vê-lo escapar. Mesmo que pudesse encarcerá-lo em uma masmorra, ainda se preocuparia com seu sono, seus sonhos. Torna-se para alguns um modo de vida que combina suspeita e investigação, única forma de voltar a fazer funcionar o motor amoroso. O ciumento compulsivo cria o delito antes de este surgir; e, com frequência, o verdadeiro delito acalma sua dor em vez de reavivá-la: ele chega quase a desejar a infidelidade que pretende abominar. Todo ciumento merece terminar provocando o que teme.”

Pascal Bruckner em O Paradoxo amoroso

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