Estado de graça

“Não há nada que os homens desejem tão ardentemente como uma amizade desinteressada. Mas é um desejo sem esperança. No colégio, os rapazes se refugiavam no orgulho de suas origens ou nos estudos, em libertinagens precoces, em proezas físicas ou em amores prematuros, incoerentes e tristes. Nessa confusão humana, a amizade de Henrik e Konrad irradiava uma luz calma semelhante à de certas cerimônias devotas medievais. Não há nada mais raro, entre os jovens, do que um sentimento desinteressado que não exija em troca nenhuma ajuda nem sacrifício daqueles em quem depositou suas esperanças. Os dois rapazes percebiam que se encontravam numa condição inefável, maravilhosa, uma espécie de estado de graça.”

Sándor Márai em As Brasas

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