Por quê?

“Mas quando eu vou escrever,
Que ouço o grito da serra
Na palma da mão da lei
Cortando a roupa da terra,
Perco de repente a lua
No brilho fosco da rua
Tentando brilhar em vão,
Deixo o poema esperando
E vou seguindo o comando
Da voz do meu coração.

E, gritando “pare, pare”
As pernas da motosserra:
Por quê? Por que mastigar
A roupa da nossa terra?
Por que transformar agora
Milhões de árvores da flora
Numa única plantação?
Por que mutilar a vida
Da terra com pesticida
Em nome da produção?”

Antônio Francisco em Veredas de Sombras

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