Queda e Redenção

Não creio na narração da queda em Genesis como literal, mas alegórica. A limitação é comum a todo ser criado, mesmo sendo perfeito no sentido de equilibrado, bem projetado, bom.

Ao se chocar com outro ser (ou Outro Ser, com letra maiúscula), os seres criados buscam se autopreservar e brigam por espaço. Nessa tentativa, desequilibram-se e desequilibram o outro, que desequilibra-se e desequilibra o um, e dá no que deu.

Cada ser humano tem o mesmo anseio por eternidade e completude que têm os demais – todos e cada um deles feitos com poder criador, à imagem e semelhança do Criador.

Mesmo depois de desequilibrados e beirando o colapso, trazem em si a semente da perfeição, mas ela precisa morrer para germinar. É só por meio do colapso total do ser que cada um de nós pode ser refeito fora dos limites da existência como hora conhecemos, num processo que nem ouso tentar entender, mas que me gera uma esperança sem limite ou explicação.

Muito menos sei explicar por que acredito que a tal semente de perfeição possui nome de homem, e que este homem caminhou por estradas poeirentas da Ásia há dois milênios, comendo peixe, tomando vinho e sendo amigo de gente imperfeita.

O único ser que não buscou a autopreservação foi exatamente o que era perfeitamente equilibrado. Colapsou-se para equilibrar o restante, Ele que é a própria semente de perfeição que habita tudo e todos os que seguirão a mesma rota de morte e ressurreição.

Ana Cris Gontijo, minha amiga, em suas Notas de Aprendiz.

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