Nudez frontal da alma

O amador sente – ou pelo menos alega – que para ele é antinatural, absolutamente falso, levar ao palco o sorriso, a dança e o abraço, ao mesmo tempo em que não vê problema para simular a introspecção e a tragédia. Essa dissimulação revela, obviamente, o que procura esconder: que a alegria é custosa para se levar para o palco porque é na celebração, no júbilo e no perfeito abandono, é no sorriso inteiramente sem rédeas, que mostramos quem realmente somos. O júbilo é a nudez frontal da alma, e quando não estamos alegres é que estamos encenando.

Paulo Brabo

Anúncios