A palavra presente

Na opinião dos apóstolos, a ressurreição corpórea e definitiva de Jesus era o endosso incontornável do seu modo de vida e de morte. A morte não havia sido capaz de conter o Filho do Homem, mas isso porque sua vida neste mundo havia sido irreparavelmente alicerçada na transcendência. Tudo tomado, o argumento dos discípulos no livro de Atos resume-se a este: a ressurreição de Jesus é indicação inescapável de que devemos viver como ele – ou, dito com outras palavras, seu modo de vida é a chave para a verdadeira transcendência. Arrepender-se não é mais do que abraçar as implicações desses terrores.

E, como não cessam de pronunciar em atos e palavras seus incômodos sucessores, viver como Jesus é viver com o outro e para o outro, com todos e para todos. É esta a redentora Palavra, a tremenda Palavra, que o mundo é convidado a proferir. Esse convite, recursivamente, é feito apenas quando a Palavra é proferida – e isso não se faz com palavras, mas com poder; não na lógica humana das validações e dos discursos, mas na carne humana banhada com o espírito de humanidade, no sangue e no corpo divinos, na encarnação, na mesa compartilhada, na vida real.

Paulo Brabo

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