A fraqueza de Deus

“Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”

Paulo descreve a imagem, inaudita na época, de um Deus que não é mais grandioso: não é nem colérico, nem terrível, nem cheio de poder como o dos judeus, mas fraco e misericordioso a ponto de se deixar crucificar – o que, aos olhos do judaísmo da época, bastaria para provar que não tinha nada de divino!

Mas ele também não é nem cósmico nem sublime como o dos gregos que, de modo panteísta fazem dele a estrutura perfeita do Todo do universo.

E é justamente esse escândalo e essa loucura que constituem sua força: é por sua humanidade, exigindo-a dos que vão crer nele, que ele vai se tornar o porta-voz dos fracos, dos pequenos, dos subalternos.

Centenas de milhões de pessoas se reconhecem, ainda hoje, na estranha força dessa fraqueza mesma.

Luc Ferry em Aprender a viver
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