Pais e filhos

“Aqui faço um apelo a quem lê sua vida com a insistência de um jornal. Aqui faço um apelo aos pais que se separaram e cuidam de seus filhos em casas separadas. Não falem mal do ex ou da ex na frente da criança, não subestimem a sensibilidade dela. Se não conseguem resolver seus problemas, ao menos não os aumentem. A criança não merece herdar o seu ódio, o seu desafeto, a sua raiva. A criança não foi casada com a sua própria mãe nem com seu pai; não adianta transferir as broncas. Não há continuidade espontânea; ela é sempre induzida. E não falo de palavras, e sim das caretas, do esgar, do repuxo das sobrancelhas. O filho capta o desprezo ou a indiferença nos gestos. No telefonema seco e irritante. Nas piadas mórbidas. Até no silêncio e na omissão.

Palavra é também o que não nasce da boca. Sua experiência represará o sangue dos filhos e poderá reprimir possíveis e autênticas escolhas. E eles se verão divorciados, desquitados e viúvos antes de se casarem. Já houve uma separação, para que duas?.”

Fabrício Carpinejar em O amor esquece de começar

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