A verdadeira liberdade

“A liberdade não consiste em fazer o que se quer, mas em querer o que se faz, quer dizer, em assumir a responsabilidade dos seus atos. Um homem não é autenticamente homem senão quando assume a responsabilidade da sua vida. A verdadeira liberdade consiste na capacidade de enfrentar a morte, não necessariamente a morte final, definitiva, mas essa morte cotidiana exigida pela justiça, a verdade, a liberdade. Não é possível, ao mesmo tempo, dar-se e reservar-se para si. Quando alguém se dá verdadeiramente, quando se compromete a fundo com os outros, é evidente que isso faz sofrer, pede verdadeiros sacrifícios. É preciso saber morrer a si mesmo, porque se é, sobretudo, escravo de si mesmo, desse “querer-viver” que levamos nas entranhas. Cristo é o modelo de homem livre: preferiu morrer a negar-se. Ele é a testemunha da liberdade eterna de Deus.”

François Varillon em Alegria de crer e de viver

Nosso rosto

“Nós nos entrincheiramos atrás de nosso rosto; o louco se trai pelo seu. Ele se oferece, se denuncia aos outros. Havendo perdido sua máscara, divulga sua angústia, a impõe ao primeiro que aparece, exibe seus enigmas. Tanta indiscrição irrita. É normal que o amarrem e que o isolem.”

Cioran em Silogismos da amargura

Se não formos perseguidos

“Se não formos perseguidos de alguma maneira, desconfiemos muito: corremos o risco de ser plenamente artificiais, ou de viver superficialmente. Milhares de pessoas tentam tocar dois teclados ao mesmo tempo: o teclado da sabedoria de Cristo e o da sabedoria do mundo. Isso não é possível. Se escolhermos o teclado da sabedoria de Cristo, seremos perseguidos […]”

François Varillon em Alegria de crer e de viver

Para além das oposições de superfície

“Estar em paz consigo mesmo é situar-se para além de todas as oposições secundárias de superfície, é já conciliar, até certo ponto, o que parece inconciliável para os espíritos superficiais e que gera, como se diz em termos modernos, progressistas e tradicionalistas, nacionalistas e internacionalistas, extrema esquerda e extrema direita, os místicos e polemistas, em suma, tudo o que é “sectário” porque unilateral, tudo o que cristaliza as dualidades em dualismos.”

François Varillon em Alegria de crer e de viver

É preciso partir as palavras

“Não digam que eu sou um intelectual; de contrário, depressa poderia demonstrar quem o é! Porque o intelectual, no mau sentido do termo, é aquele que usa palavras gastas até à saciedade sem as destrinchar. É preciso partir as palavras como se parte um mealheiro ou um ovo de Páscoa para ver o que há lá dentro. Eu faço com que despedacem as palavras: é indispensável.”

François Varillon em Alegria de crer e de viver

As pessoas más

“As pessoas más odeiam a luz porque os revela a si próprios. Odeiam a bondade porque revela a sua maldade; odeiam o amor porque revela a sua preguiça. Destroem a luz, a bondade e o amor para evitarem a dor dessa consciência.”

M. Scott Peck em O caminho menos percorrido