Li em 2012

27- A alma imoral
Nilton Bonder

26- Pedagogia da Tolerância
Paulo Freire

25- A Brincadeira
Milan Kundera

24- A Coragem de Criar
Rollo May

23- A Náusea
Jean-Paul Sartre

22- Guia Politicamente Incorreto da Filosofia
Luiz Felipe Pondé

21- O Eleito
Thomas Mann

20- Humano, demasiado humano
Friedrich Nietzsche

19- Igreja entre aspas
Tuco Egg

18- A queda
Albert Camus

17- A trégua
Mario Benedetti

16- O estrangeiro
Albert Camus

15- Bom Dia, Angústia!
André Comte-Sponville

14- Divórcio em Buda
Sándor Márai

13- O suspiro dos oprimidos
Rubem Alves

12- Fahrenheit 451
Ray Bradbury

11- A tirania da penitência
Pascal Bruckner

10- Auto-engano
Eduardo Giannetti

9- Senhorita Christina
Mircea Eliade

8- Amor Líquido
Zygmunt Bauman

7- Clarice,
Benjamin Moser

6- A história da (in)felicidade
Richard Schoch

5- Culpa e Graça
Paul Tournier

4- O último voo do flamingo
Mia Couto

3- Palmeiras Selvagens
William Faulkner

2- A Euforia Perpétua
Pascal Bruckner

1- 1984
George Orwell

Amor é empobrecer junto

A Priscila Seabra

Casal inteligente enriquece junto?
Por favor, dá um desconto.
É confundir a relação com um negócio.
Daí não será um namorado, mas um sócio.
Daí não será uma namorada, mas uma investidora.
Retire o interesse dos dois, não sobrará
coisa alguma. A única sintonia é a carreira.
Alguns vão delirar que é amor, mas chegue perto
com o olfato: o perfume excessivo é ambição.
Amor mesmo é empobrecer junto, se for o caso.
É fracassar e continuar tentando.
É respeitar os caminhos e vocações diferentes.
É não ter medo de começar com um colchonete
no chão – e ir subindo aos poucos.
Não aguardar o melhor momento, ficar ao lado
até que a sorte venha ou não venha.

Fabrício Carpinejar,
em seu Borralheiro

Li em 2011

24- Apenas um carpinteiro
Jansen Viana

23- A minha alma está a[r]mada
Sérgio Pavarini

22- O quanto é preciso ser bom?
Harold Kushner

21- Um Caminho Espiritual para a Felicidade
Jung Mo Sung

20- Pedagogia da autonomia
Paulo Freire

19- Educação como prática da liberdade
Paulo Freire

18- Jesus de Nazaré
José Comblin

17- A Tentação do Cristianismo
Luc Ferry e Lucien Jerphagnon

16- Pedagogia do Oprimido
Paulo Freire

15- Trem Noturno para Lisboa
Pascal Mercier

14- Jesus, o maior psicólogo que já existiu
Mark W. Baker

13- O Paradoxo amoroso
Pascal Bruckner

12- O Amor
André Comte-Sponville

11- O livro dos abraços
Eduardo Galeano

10- O Dia do Curinga
Jostein Gaarder

9- A presença imperceptível de Deus
Ricardo Gondim

8- Borralheiro
Fabrício Carpinejar

7- As Brasas
Sándor Márai

6- Rasif – Mar que arrebenta
Marcelino Freire

5- O Caminho para a Distância
Vinicius de Moraes

4- Vita Brevis
Jostein Gaarder

3- Veredas de Sombras
Antônio Francisco

2- Vinte e Zinco
Mia Couto

1- Gente Pobre
Fiódor Dostoiévski

total 4.271 págs.

O escritor

O escritor é refém do leitor. Derramado no texto, o autor se deixa encarcerar na interpretação de quem gostou ou detestou o que leu.

Ricardo Gondim

O que resta?

“Durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria. Esse, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo.”

Arthur Schopenhauer

Filosofia do afeto

“Os ensaios e os fragmentos que aqui ofereço ao leitor são, no seu corpo, cenas de uma filosofia do afeto. O afeto que pensa o cotidiano. Na sua alma, estes ensaios são um tratado – aos pedaços, assim como eu – contra um mundo que mente sobre si mesmo.”

introdução de Contra um Mundo Melhor, de Luiz Felipe Pondé

Trechos (5)

“À volta, nenhuma resposta. Só as ondas se sucediam, em cada onda o mar se despindo sem nunca chegar à nudez.”

“A beleza daquela mulher era de fazer fugir o nome das coisas.”

“Não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida.”

“Afinal, todos queremos no peito o nó de um outro peito, o devolver da metade que perdemos ao nascer.”

“A gente vai chegando à morte como um rio desencorpa no mar: uma parte está nascendo e, simultânea, a outra já se assombra no sem-fim.”

“Nenhum rio separa, antes costura os destinos dos viventes.”

“Nos olhamos como se reconhecêssemos, no outro, o único ser da terra.”

“Afinal, em meio da vida sempre se faz a inexistente conta: temos mais ontens ou mais amanhãs?”

“O impossível cálculo do amor: dois seres, um e um, somando o infinito.”

trechos do livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto

Trechos (4)

“Ninguém é de uma raça. As raças são fardas que vestimos.”

“Todo o silêncio é música em estado de gravidez.”

“Ficar devidamente calado requer anos de prática.”

“Viver é cumprir sonhos, esperar notícias.”

“Velhice não é idade: é um cansaço.”

“Os meus filhos são a minha última vida.”

“Não é segurando nas asas que se ajuda um pássaro a voar. O pássaro voa simplesmente porque o deixam ser pássaro.”

“Não viver é o que mais cansa.”

“Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida. Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, para nosso próprio engano e consolo, chamamos existência.”

“Nunca há terra suficiente para enterrar uma mãe.”

“O poeta se engrandece perante a ausência, como se a ausência fosse o seu altar, e ele ficasse maior que a palavra.”

“O amor é um território onde não se pode dar ordens.”

“A vida só sucede quando deixamos de a entender.”

“A vida não foi feita para ser pouca e breve.”

“Quem ama, ama para sempre.”

“O nosso medo maior é o da solidão.”

“Tememos a morte, sim. Mas nenhum medo é maior que aquele que sentimos da vida cheia, da vida vivida a todo o peito.”

trechos do livro Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto

Trechos (3)

“Fulano Malta achava que o mundo estava tão torto que para um homem ser bom não podia ser justo.”

“O homem sábio é o que sabe que há as coisas que nunca vai saber.”

“O amor nos pune de modo tão brando que acreditamos estar sendo acariciados.”

“O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo.”

“Não se chora alto, a lágrima é uma serpente que, desperta, nos engole de cima e de baixo.”

“O ar é uma pele, feita de poros por onde escoa a luz, gota por gota, como um suor solar.”

“A terra estava aberta a futuros, como uma folha branca em mão de criança.”

“Sabe-se: a dor pede pudor. Na nossa terra, o sofrimento é uma nudez – não se mostra aos públicos.”

trechos do livro Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra, de Mia Couto

Li em 2010

52- Deus em nós
Hugo Assmann e Jung Mo Sung

51- Deus Imerso no Sofrimento Humano
Ricardo Gondim

50- Deus: Ilusão ou Realidade?
Jung Mo Sung

49- O espírito do ateísmo
André Comte-Sponville

48- Direto ao Ponto
Ricardo Gondim

47- Contra um Mundo Melhor
Luiz Felipe Pondé

46- As Veias Abertas da América Latina
Eduardo Galeano

45- Um Homem Chamado Jesus
Frei Betto

44- Como um Romance
Daniel Pennac

43- Platero e eu
Juan Ramón Jiménez

42- O Infinito na palma da sua mão
Rubem Alves

41- Do amor e outros demônios
Gabriel García Márquez

40- O anseio furioso de Deus
Brennan Manning

39- O peso de glória
C.S. Lewis

38- O Amor a Solidão
André Comte-Sponville

37- Eugénie Grandet
Honoré de Balzac

36- Lavoura Arcaica
Raduan Nassar

35- A Noite
Elie Wiesel

34- O Jesus que eu nunca conheci
Philip Yancey

33- Amor Romântico – Isto existe?
Silvia Geruza

32- Marina – A vida por uma causa
Marília de Camargo César

31- Dom Casmurro
Machado de Assis

30- O Cristianismo é bom para o mundo?
Christopher Hitchens e Douglas Wilson

29- Anarquia e Cristianismo
Jacques Ellul

28- Onde existe amor, Deus aí está
Leon Tolstói

27- É isto um Homem?
Primo Levi

26- A Varanda do Frangipani
Mia Couto

25- A Elegância do Ouriço
Muriel Barbery

24- Jesus antes do Cristianismo
Albert Nolan

23- A Insustentável Leveza do Ser
Milan Kundera

22- La Celestina
Fernando de Rojas

21- O Deus que conheço
Rubem Alves

20- Cristianismo Pagão?
Frank Viola e George Barna

19- A Bíblia que Jesus lia
Philip Yancey

18- Matar nossos deuses – Em que Deus acreditar?
José María Mardones

17- Terra Sonâmbula
Mia Couto

16- Um mundo num grão de areia
Rubem Alves

15- A Utopia
Thomas More

14- A Fome da Alma
James Houston

13- O Corpo Fala
Pierre Weil e Roland Tompakow

12- O Velho e o Mar
Ernest Hemingway

11- Mansamente pastam as ovelhas
Rubem Alves

10- Antes de Nascer o Mundo
Mia Couto

9- Depois da Cristandade
Gianni Vattimo

8- Um Certo Capitão Rodrigo
Erico Verissimo

7- Grande Sertão: Veredas
João Guimarães Rosa

6- Outra Espiritualidade
Ed René Kivitz

5- Em busca de uma fé que é real
Brian McLaren

4- Tirando os Sapatos
Nilton Bonder

3- A Bacia das Almas
Paulo Brabo

2- Ana Terra
Erico Verissimo

1- Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra
Mia Couto

total 11.473 págs.

Feridos em Nome de Deus

“Caminhar sobre o solo do tema abuso espiritual exige cuidado e afeto. O solo é sagrado. Não é outro senão o coração de vítimas. As vítimas estão sempre fragilizadas e carregam consigo suas dores na carne e na alma. Jesus ensina a pisar no solo sagrado da intimidade das vítimas: com a cautela amorosa de quem não quer apagar o pavio que fumega nem esmagar a cana trilhada. Implica o sopro singelo para que a chama se recupere desde as cinzas e o carinho necessário para que as feridas encontrem o caminho da cura.”

Ed René Kivitz, no prefácio do livro Feridos em Nome de Deus.

À Espera da Aurora

Ricardo Gondim (e Jean Delumeau)

Li e agora releio À Espera da Aurora de Jean Delumeau (Edições Loyola). O texto é agradável, não hermético. Delumeau, historiador e professor emérito do Collége de France escreve com leveza.

Na Europa pós-cristã existe a premente necessidade de construir pontes de diálogo com o mundo acadêmico. Como o historiador francês acredita que o cristianismo tem condições de interagir com a ciência, filosofia e humanidades, fornece algumas pistas para a conversa.

Sugere: abertura para a evolução; revisão da antropologia pessimista do pecado original; modelo alternativo de compreensão sobre Deus.

Recomendo fortemente À Espera da Aurora. Entretanto, atrevo-me pinçar alguns conceitos sobre Deus da obra de Delumeau.

Os genocídios e massacres do século XX – o mais sangrento da história – levaram teólogos cristãos e pensadores judeus reverem pressupostos sobre uma divindade no controle dos eventos. Delumeu pergunta: “Pode-se crer na bondade após Auschwitz? Por que seu silêncio diante de um genocídio sem precedentes?”. Elie Wiesel, sobrevivente de um campo de concentração nazista e Prêmio Nobel da Paz, disse: “Fazemos nossas, as terríveis acusações que Jó proferiu: Deus parece brincar com o homem [...] ser indiferente ao seu sofrimento. E Deus não faz nada para dissipar esse mal-estar na civilização”.

Delumeau cita Pierre Bayle (1646-1707) que rejeitou a explicação clássica do sofrimento humano como resultado do pecado original: “A maneira pela qual o mal se introduziu sob o império de um ser infinitamente bom, infinitamente santo, infinitamente poderoso é não apenas inexplicável, mas até mesmo incompreensível”.

Delumeau propõe a única saída para este beco sem saída. “Tomar consciência da não-potência de Deus”. Obviamente uma afirmação desse tipo causa horrores na cristandade, acostumada a pensar Deus a partir da filosofia grega. Mas o escândalo e a loucura da fé cristã repousam precisamente neste alicerce: Deus se tornou homem. “Por que existe mal? Não há nenhuma resposta que esteja ao nosso alcance. Mas ainda assim o cristianismo esclarece e relativiza esse imenso enigma por meio de duas fortes afirmações: (1) Deus ficou entre nós para sofrer, como nós, com a violência do mal e ele morreu no abandono mais completo; (2) na Jerusalém definitiva, o mal terá desaparecido”.

As Escrituras afirmam categoricamente que Deus não pode negar a si mesmo. Mas “a Encarnação pressupõe que Deus, tornado homem como você e eu, tenha colocado entre parênteses sua ‘onipotência’ durante todo o tempo de sua missão terrestre. O que nos conduz a enunciar duas proposições contraditórias do ponto de vista de nossa situação humana: Deus é ao mesmo tempo o Todo-Poderoso que está na origem do ‘céu e da terra’ e o Não-Poderoso do qual os frágeis relatos evangélicos nos deixaram traços”.

“O Deus para o qual os cristãos oram todos os dias ‘gemeu em um berço’, segundo a fórmula de Lutero… Ele não procurou se defender, sendo aprisionado, torturado, forçado a carregar a cruz do seu suplício e pendurado a esse objeto infamante. Eis o Deus proclamado pelo cristianismo: um profeta desarmado… desarmado frente ao mal… O Deus Todo-Poderoso que se tornou um ‘escombro’ humano: estamos aqui no âmago do paradoxo cristão e da ‘loucura da cruz’ que, sem explicar as raízes do mal, nos garante que Deus quis compartilhar nossa condição, por mais assustadores que sejam nossos sofrimentos e penas”.

Delumeau cita Pascal: “Cristo estará em agonia até o fim do mundo”. Para Delumeau, Deus só exercerá completamente sua vontade soberana quando a história humana chegar ao seu final. “Então, somente então, sua vontade será feita ‘tanto na terra como no céu’ – fórmula que só pode ser compreendida se lhe for restituído o seu alcance escatológico. Ao comentar o Pai Nosso, Marc Philonenko,o sábio editor dos Écrits intertestamentaires, escreve: ‘a vontade’ de Deus se exerce nos céus desde o começo do mundo. Ela se exercerá definitavamente na terra no dia do Juízo. Não antes disso. Enquanto durar a história, o homem-Deus sofre como nós e conosco”.

“Contudo, é preciso constatar que Jesus permaneceu mudo sobre o pecado original, tampouco se pronunciou sobre a origem do mal. Ora, parece-me que devemos imitá-lo nesse silêncio e, se me permitem dizer, ‘não seremos mais realistas que o rei”.

“Claudel com razão escreveu em algum lugar: ‘Deus não veio explicar o sofrimento; ele veio preenchê-lo com sua presença’”.

Claro que o texto acima não passa de um resumo impreciso do pensamento de Delumeu. Insisto: os que estiverem insatisfeitos com os modelos teológicos tradicionais e ousarem aventurar-se – e arriscar-se – a pensar fora dos enlatados, leiam Delumeau.

Soli Deo Gloria

fonte: Ricardo Gondim

Ontem e hoje

…imaginei ter mais amigos
do que realmente tenho.
Hoje meus amigos são os livros.
Só assim posso ter emoções,
sensações e sentimentos
que estavam esquecidos dentro de mim.

Fabiana Zuniga

Trechos (2)

“Às vezes, de intenção, ela se picava. Ficava a ver a gota engravidar no dedo. Depois, quando o vermelho se excedia, escorrediço, ela nem injuriava. Aquele sangue, fora do corpo, era o seu dasvairo, o convocar da amorosa mácula.”

“A realidade é mais rasteira, feita de peso e de pés na terra.”

“A meu homem deram transferência de sangue. Para mim, o que eu queria era transfusão de vida, o riso me entrando na veia até me engolir, cobra de sangue me conduzindo à loucura.”

“Envelhecer é ser tomado pelo tempo.”

“Como a pedra, que não tem espera nem é esperada, fiquei sem idade.”

“A sua vida me apagou.”

“A cama é engolidora de saudade.”

“Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.”

“Olhei a janela e esperei que, como uma doença, a noite passasse.”

“Falar é fácil. Custa é aprender a calar.”

“Vantagem da prisão é que todo dia é domingo.”

“Amor é os dois se duplicarem em um.”

“E eu, durante anos, tive vergonha da alegria.”

“Que eu não entendia: um santo é uma pessoa que abdica da vida. No meu caso, padre, a vida é que tinha abdicado de mim.”

“Não existe terra, existem mares que estão vazios.”

“Dentro de mim, vão nascendo palavras líquidas, num idioma que desconheço e me vai inundando todo inteiro.”

“Chorar é um abrir do peito.”

“O pranto é o consumar de duas viagens: da lágrima para a luz e do homem para uma maior humanidade.”

“A solução do mundo é termos mais do nosso ser. E a lágrima nos lembra: nós, mais que tudo, não somos água?”

“Cozinhar é um modo de amar os outros.”

trechos do livro O Fio das Missangas, de Mia Couto

Trechos

“O amanhecer costumava ser um beijo no vidro de sua casa.”

“A melhor maneira de fugir é ficar parado.”

“A melhor maneira de mentir é ficar calado.”

“Nascemos para ser escolhidos, vivemos para escolher.”

“Ergueu os olhos para a noite como se nela procurasse chão.”

“Por certo era uma estrela em idade infantil, dessas que ainda tropeçam nos atalhos do firmamento.”

“Queria dormir, apagar o seu existir.”

“Ficaram a olhar a tarde, calados. Como se o que esperassem fosse o próprio tempo.”

“Quem não vê os seus sonhos é porque está sonhando aquilo que está vendo.”

“Ela, porém, já não se considerava vivente. Por isso, para deixar de viver, já nem carecia morrer.”

“Se é para voltar, volte antes de partir.”

“Não é morrer que me dói. O que me dá tristeza é ficar morto.”

“A saudade é a única dor que me faz esquecer as outras dores.”

“Os homens não gostam que as mulheres pensem em silêncio.”

“A velhice é uma gordura na alma.”

“Acabou deixando o álcool como quem é abandonado por uma amante: magoado por uma ferida que só cicatriza por fora.”

“Chorou, como se fosse um modo de cantar.”

“As pálpebras são o pano do esquecimento.”

“Não são os mortos que ressuscitam, são os vivos.”

“À noite, quando fechamos os olhos, a casa nos devora.”

“Ali ela se ajoelhou, mas, quando pretendeu rezar, percebeu que não o sabia fazer. E lhe veio uma saudade de Deus.”

“Depois, entreabriu os olhos, enfrentou o céu.”

“O meu sangue está sujo de pólvora.”

“Não me interessa viver, vizinha. Só quero é amar.”

“Temos medo do pó porque é uma prova de que o Tempo existe e nos vai tornando obsoletos, quase minerais.”

“Na morte, como na vida, entra-se descalço.”

“Suor é coisa de pobre e ele, empresário de sucesso, não podia dar azo a transpirações.”

“O homem engana-se, a mulher engana.”

“A estrada de areia é um rio seco.”

“No leito do rio havia um lugar sem fundo, onde a própria água se afundava.”

“Uma casa morre, se não é habitada com amor.”

“Queremos ter o gosto de usufruir sem a responsabilidade de possuir.”

“África, para ele, não era um lugar. Mas um ventre.”

“Como iremos governar de modo cristão continentes inteiros se nem neste pequeno barco mandam as regras de Cristo.”

“Já não sou dono da minha vontade.”

“A prisão é um lugar onde se dorme muito e o sonho substitui o viver.”

“É a única coisa que o sistema não pode encarcerar: os sonhos.”

“O choro é o nosso primeiro idioma.”

“A terra é a página onde Deus lê.”

“O que você diria se encontrasse uns brancos proclamando o orgulho de serem brancos: não diria que eram racistas?”

“O encantamento é uma casa que tem o silêncio por teto.”

“Nesse outro tempo, o seu livro era o chão imenso, por aí afora. Quem lhe virava as páginas eram as estações do ano.”

“A guerra é uma serpente que matamos sem pisar a cabeça.”

“Não são os grandes traumas que fabricam a grande maldade. São, sim, as miúdas arrelias do quotidiano, esse silencioso pilão que vai esmoendo a esperança, grão a grão.”

trechos do livro O Outro Pé da Sereia, de Mia Couto

Por que escrevo?

Frei Betto

Esta é uma pergunta que eu mesmo me faço. E para a qual não tenho resposta exclusiva; ou, como diria Descartes, clara e distinta. Escrevi 48 livros ao longo de 30 anos, fora aqueles nos quais participo como co-autor. Redijo de oito a dez artigos jornalísticos por mês. E… por que escrevo? Trago uma multiplicidade de hipóteses não excludentes.

Escrevo para construir minha própria identidade. Tivesse sido criado por lobos, será que eu me sentiria lobo no mundo? A identidade é também reflexo de um jogo de espelhos. Se pais e mestres me tivessem incutido que sou tapado para as letras, e não me restasse alternativa senão trabalhar no fundo de minas, talvez hoje – se houvesse sobrevivido – eu fosse um mineiro aposentado.

Minha experiência, porém, foi diferente. Os espelhos reluziram em outras direções. Já trazia em mim o fator filogenético. Meu pai escreve crônicas. Minha mãe publicou sete livros de culinária. O gato da casa não escreve; mas, pelo jeito, gosta de ler, a julgar pelo modo como se enrosca em jornais e revistas.

Veio, então, o fator ontogenético. Segundo ano primário, Grupo Escolar Barão do Rio Branco, Belo Horizonte. Dona Dercy Passos, que me ensinou o código alfabético, entra em classe sobraçando nossas redações. A professora indaga aos alunos: “Por que não fazem como o Carlos Alberto? Ele não pede aos pais para redigir suas composições”. (Bonito: composição. Promove a escrita em nível de arte poética e musical). A palavra elogiosa pinçou-me do anonimato, inflou o meu ego, trouxe-me um pouco mais de segurança na tarefa redacional.

Tornei-me ávido leitor. Monteiro Lobato, coleção “Terramarear”, o Tesouro da Juventude. Não lia com a cabeça, e sim com os olhos. O texto se fazia espelho e eu via meu próprio rosto no lugar do perfil anônimo do autor. Mais do que o conteúdo, encantavam-me a sintaxe, o modo de construir uma oração, a força dos verbos, a riqueza das expressões, a magia de encontrar o vocábulo certo para o lugar exato.

Primeira série ginasial, colégio Dom Silvério, dos irmãos maristas, Belo Horizonte. Irmão José Henriques Pereira, professor de Português, aguarda-me à saída da aula. Chama-me à parte e sentencia: “Você só não será escritor se não quiser”.

Escrevo para lapidar esteticamente as estranhas forças que emanam do meu inconsciente. Aos poucos, fui descobrindo que nada me dá mais prazer na vida do que escrever. Condenado a fazê-lo, tiraria de letra a prisão perpétua, desde que pudesse produzir meus textos. Aos candidatos a escritor, aconselho este critério: se consegue ser feliz sem escrever, talvez sua vocação seja outra. Um verdadeiro escritor jamais será feliz fora deste ofício.

Escrevo para ser feliz. Bartheanamente, para ter prazer. Sabor do saber. Tanto que, uma vez publicado, o texto já não me pertence. É como um filho que atingiu a maturidade e saiu de casa. Já não tenho domínio sobre ele. Ao contrário, são os leitores que passam a ter domínio sobre o autor. Nesse sentido, toda escritura é uma oblação, algo que se oferta aos outros. Oferenda narcísica de quem busca superar a devastação da morte. O texto eterniza o seu autor.

Escrevo também para sublimar minha pulsão e dar forma e voz à babel que me povoa interiormente. A literatura é o avesso da psicanálise. Quem vai para o divã é o leitor-analista. Deitado ou recostado, ouve nossas confidências, decifra nossos sonhos, desenha nosso perfil, apreende nossos anjos e demônios. Por isso, assim como os psicanalistas evitam relações de amizade com seus pacientes, prefiro manter-me distante dos leitores. Não sou a obra que faço. Ela é melhor e maior do que eu. No entanto, revela-me com uma transparência que jamais alcanço na conversa pessoal. Tenho medo do olhar canibal dos leitores, como se a minha pessoa pudesse corresponder às fantasias que forjam a partir da leitura de meus textos. Tenho medo também de minha própria fragilidade.

O texto tece o tecido de minha couraça. Com ele me visto, nele me abrigo e agasalho. É o meu ninho encantado. Privilegiado belvedere do qual contemplo o mundo. Dali, posso ajustar as lentes do código alfabético para falar de religião e política, de arte e ciências, de amor e dor. Recrio o mundo. Por isso, escrever exige certo distanciamento.

Deveria haver mosteiros nas montanhas onde os escritores pudessem se refugiar para criar. Não posso exercer meu ofício têxtil cercado de interrupções, como telefonemas, idas e vindas, reuniões, etc. Retiro-me para fazê-lo. Concordo com João Ubaldo Ribeiro quando ele afirma: “Escrever, para mim, é um ato íntimo, tão íntimo que não acerto escrever na frente de ninguém, a não ser em redação de jornal, que é como sauna, onde todo mundo está nu e não repara a nudez alheia” (Folha de S. Paulo, 19/4/92).

“No princípio era o Verbo…”, proclama o prólogo do evangelho de João. No fim também o será. Verbo que se faz carne e cerne e, ainda assim, permanece impronunciável. Inominável. A palavra lavra e semeia, mas seus frutos nunca são inteiramente palatáveis. Polissêmico, verbo é mistério.

“Escrevo por vaidade”, confessava o poeta Augusto Frederico Schmidt. Em geral, os escritores são insuportavelmente vaidosos. Tanto que chegam a criar academias literárias para se autoconcederem o título de “imortais”. Ali, a maioria sobrevive às próprias obras. Qual o autor que não atribui ao que escreve uma importância superlativa? Se o livro não vira best-seller e não é elogiado pela crítica, o autor culpa o editor, a distribuidora, o preconceito da mídia, as “panelinhas” literárias das metrópoles.

Ora, alguém conhece uma obra de indiscutível valor literário que tenha sido olvidada por ter sido impressa na gráfica do município de Caixa Prego? O que tem valor, cedo ou tarde, se impõe. O que não tem, ainda que catapultado às alturas pelos novos e milionários recursos mercadológicos, não perdura. O bom texto é aquele que deixa saudade na boca da alma. Vontade de lê-lo de novo.

Todo texto, entretanto, depende do contexto. Por isso, dois leitores têm diferentes apreciações do mesmo livro. Cada um lê a partir de seu contexto. A cabeça pensa onde os pés pisam. O contexto fornece a ótica que penetra mais ou menos na riqueza do texto. Um alemão tem mais condições de usufruir Goethe do que um brasileiro. Este, por sua vez, ganha do alemão na incursão pelos grandes sertões e veredas de Guimarães Rosa. De meu contexto leio o texto e extraio, para a minha vida, o pretexto.

Escrevo em computador. Quando busco um tratamento estético mais apurado, faço-o a mão. Hemingway escrevia de pé. Kipling, com tinta preta, em blocos de folhas azuis com margens brancas, feitos especialmente para ele. Henry James fazia esboço de cena por cena antes de iniciar um romance. Faulkner dizia “ouvir vozes”. Dorothy Parker confessava: “Não consigo escrever cinco palavras sem que modifique sete”. Escrever é cortar palavras e modificar frases.

Escrevo para assegurar o meu sustento, que não vem do maná do Céu nem da Igreja, graças a Deus. Livro dá dinheiro como a loto: para uns poucos. Neste país de analfabetos, onde os alfabetizados não têm o hábito de leitura, e as pequenas tiragens editoriais encarecem o custo do produto, viver de direitos autorais é privilégio de uma Ruth Rocha e de um Paulo Coelho. Meu também, guardadas as proporções. Porque tenho muitos livros, destinados a diferentes segmentos de leitores e, como religioso e celibatário, um custo de vida relativamente reduzido. Tivesse família, seria difícil viver dos direitos autorais.

Escrevo, enfim, para extravasar meu “sentimento de mundo”, na expressão do escritor Carlos Drummond de Andrade. Tentar dizer o indizível, descrever o mistério e exercer, como artista, minha vocação de clone de Deus. Só sei dizer o mundo através das palavras. Só sei apreender este peixe sutil e indomável – o real – através da escrita. É minha forma de oração.

Talvez, pela mesma razão, Deus tenha preferido a literatura para se expressar. Podia tê-lo feito pela pintura ou pela escultura. Podia ter esperado o cinema, a fotografia, a TV ou a cibernética. Não, escolheu o texto, a Bíblia.

Homem de fé, escrevo porque há algo de divino nesse ofício que desce às profundências do humano, tornando-as transcendentes.

Escrevo, enfim, porque não sei fazer outra coisa nem vejo motivo para deixar de fazê-lo.

Ainda assim, prossigo me perguntando: por que escrevo? E tenho ânsias de confessar que, no fundo, é para impedir que se cure a loucura que, por trás dessa aparente normalidade, faz de mim um homem embriagadoramente alucinado.

fonte: ADITAL

O escritor e seu ofício.

“O escritor é uma pessoa que passa anos tentando descobrir com paciência um segundo ser dentro de si, e o mundo que o faz ser quem é: quando falo de escrever, o que primeiro me vem à mente não é um romance, um poema ou uma tradição literária, mas uma pessoa que fecha a porta, senta-se diante da mesa e, sozinha, volta-se para dentro: cercada pelas suas sombras, constrói um mundo novo com as palavras. Esse homem – ou essa mulher – pode usar uma máquina de escrever, aproveitar as facilidades de um computador ou escrever com caneta no papel, como venho fazendo há trinta anos. Enquanto escreve, pode tomar chá ou café, ou fumar. De vez em quando, pode se levantar e olhar pela janela as crianças que brincam na rua e, se tiver sorte, contemplar algumas árvores e uma bela vista, ou apenas topar com uma parede escura.Pode escrever poemas, peças de teatro ou romances, como eu. Mas todas essas particularidades só vêm depois da decisão crucial de sentar-se diante da mesa e, pacientemente, voltar-se para dentro. Escrever é transformar em palavras esse olhar para dentro, estudar o mundo para o qual a pessoa se transporta quando se recolhe em si mesma – com paciência, obstinação e alegria.”

Orhan Pamuk em A maleta do meu pai

Eu, o livro

Frei Betto

Sou muito especial. Minha tecnologia é insuperável. Funciono sem fios, bateria, pilhas ou circuitos eletrônicos. Sou útil até mesmo onde não há energia elétrica. E posso ser usado mesmo por uma criança: basta abrir-me.

Nunca falho, não necessito de manual de instruções, nem de técnicos que me consertem. Dispenso oficinas e ferramentas. Sou isento a vírus, embora figure no cardápio das traças. Se algo em mim o leitor não entende, há um similar que explica todos os meus vocábulos.

Através de mim as pessoas viajam sem sair do lugar. Não é fantástico? Basta abrir-me e posso levá-las a Roma dos Césares ou à Índia dos brâmanes, aos estúdios de Hollywood ou ao Egito dos faraós, ao modo como as baleias cuidam de seus filhos e aos paradoxos dos buracos negros.

Sou feito de papiro, pergaminho, papel, plástico e, hoje, existo até como matéria virtual. Domino todos os ramos do conhecimento humano. E, ao contrário dos seres humanos, jamais esqueço. Se me consultam, elucido dúvidas, respondo indagações, estimulo a reflexão, desperto emoções e idéias.

Posso ensinar qualquer idioma: tupi, grego, chinês ou russo. Até línguas mortas, como o latim. Introduzo as pessoas na meditação zen-budista e nos segredos da culinária mineira, nas partículas subatômicas e na história do automóvel, nas maravilhas dos jardins suspensos da Babilônia e nos hábitos dos escorpiões.

Para utilizar-me, a pessoa escolhe o lugar mais confortável: cama, sofá da sala, tamborete da cozinha, degrau da escada ou banco do ônibus. Trago a ela os poemas de Fernando Pessoa e os salmos da Bíblia; as noções de como operar um monitor de TV e a biografia de John Lennon; as viagens de Marco Pólo e os cálculos da propulsão das naves espaciais.

Trabalho em silêncio, e nunca incomodo ninguém, pois jamais insisto. É o meu leitor que se cansa e, neste caso, pode fechar-me e continuar a leitura horas ou dias depois. Não fujo, não saio do lugar, não abandono quem cuida de mim. Fico ali à espera, em cima de uma mesa ou enfiado numa prateleira, sem alterar o meu humor. Exceto quando sou alvo da cobiça de pessoas sem escrúpulos, que me roubam de meus legítimos donos.

Revelo a quem me procura o que for de seu interesse: como cuidar do jardim ou detalhes da Guerra do Paraguai; a incrível paixão entre Romeu e Julieta ou a atribulada vida amorosa de Elvis Presley; os segredos de fabricação de um bom vinho ou as mil e uma interpretações de As Mil e Uma Noites.

Pode-se estar comigo e, ao mesmo tempo, ouvir música ou viajar de trem, navio ou avião, sem necessidade de pagar a minha passagem. Sou transportável, manipulável e até descartável. Mas costumo enganar a quem confia nas aparências: nem sempre o meu rosto revela o conteúdo.

Sem mim, a humanidade teria perdido a memória. E, possivelmente, não ficaria sabendo que Deus se revelou a ela. Sou portador de epifanias e sonhos, tragédias e esperanças, dores e utopias. E sou também uma obra de arte, dependendo de como os meus autores tecem e bordam as letras que preenchem as minhas páginas.

Livre e lido, sou livro.

fonte: ADITAL

Li em 2009

50- Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto

49- Deus em Busca do Homem
Abraham Joshua Heschel

48- O Deus da Vida
Gustavo Gutiérrez

47- O Impostor que Vive em Mim
Brennan Manning

46- A Mensagem Secreta de Jesus
Brian McLaren

45- O Fim da Memória
Miroslav Volf

44- Salvos da Perfeição
Elienai Cabral Jr.

43- O Escândalo do Comportamento Evangélico
Ronald J. Sider

42- Meditatio
Osmar Ludovico

41- Ortodoxia
G.K. Chesterton

40- Vivendo com Propósitos
Ed René Kivitz

39- Jesus Quer Salvar os Cristãos
Rob Bell e Don Golden

38- Feridos em Nome de Deus
Marília de Camargo César

37- Em 6 Passos O Que Faria Jesus
Paulo Brabo

36- A Odisseia da Vida
Rene Frydman

35- Religião e Repressão
Rubem Alves

34- Para Viver um Grande Amor
Vinícius de Moraes

33- Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
André Comte-Sponville

32- Venenos de Deus, remédios do Diabo
Mia Couto

31- Decepcionado com Deus
Philip Yancey

30- Pelas Praias do Mundo
Pablo Neruda

29- Lazarillo de Tormes
Anônimo

28- Tempus Fugit
Rubem Alves

27- O que Resta de Auschwitz
Giorgio Agamben

26- A Igreja do Outro Lado
Brian McLaren

25- Teologia em Perspectiva Wesleyana
Duncan Alexander, José Carlos de Souza e Rui Josgrilberg

24- Cantos do Pássaro Encantado
Rubem Alves

23- A Piedade Pervertida
Ricardo Quadros Gouvêa

22- Fusões – Cinema, televisão, livro e jornal
Vários autores

21- Se Deus existe, por que há pobreza?
Jung Mo Sung

20- Viciados em Mediocridade
Frank Schaeffer

19- É Proibido
Ricardo Gondim

18- O Deus Exilado
Marilia Fiorillo

17- Fábrica de Missionários
Rubem Amorese

16- Um Vislumbre de Jesus
Brennan Manning

15- Venda-se: a arte de construir uma imagem
Harry Beckwith e Christine Clifford Beckwith

14- O Evangelho Maltrapilho
Brennan Manning

13- Igreja – Por que me importar?
Philip Yancey

12- Sonho de uma noite de verão
William Shakespeare

11- Planejamento e Controle da Produção
Idalberto Chiavenato

10- O Fio das Missangas
Mia Couto

9- Heróis da Fé
Orlando Boyer

8- Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis

7- Para nascer nasci
Pablo Neruda

6- Clássicos do mundo corporativo
Max Gehringer

5- Cartas a um jovem poeta
Rilke

4- O outro pé da sereia
Mia Couto

3- O Deus Im-potente
Paulo Roberto Gomes

2- Outros escritos
Clarice Lispector

1- Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda

total 10.373 págs.

Li em 2008

70- Repintando a Igreja
Rob Bell

69- Reflexões sobre a Bíblia
Dietrich Bonhoeffer

68- Quem me roubou de mim?
Fábio de Melo

67- Vidas secas
Graciliano Ramos

66- Mensagem
Fernando Pessoa

65- Poemas Completos de Alberto Caeiro
Fernando Pessoa

64- Lidere como Jesus
Ken Blanchard e Phil Hodges

63- O que os Evangélicos [não] falam
Ricardo Gondim

62- O Avesso e o Direito
Albert Camus

61- Sem perder a alma
Ricardo Gondim

60- Variações sobre a vida e a morte
Rubem Alves

59- El oro de los sueños
José María Merino

58- A Cabana
William P. Young

57- Um Deus para hoje
Andrés Torres Queiruga

56- À espera da aurora
Jean Delumeau

55- Farmácia de Pensamentos
Sonia Aguiar

54- Nossa Igreja Brasileira
Ariovaldo Ramos

53- Experimentar Deus
Leonardo Boff

52- Fé e Descrença
Ruth Tucker

51- Uma Ortodoxia Generosa
Brian McLaren

50- O que estão fazendo com a Igreja
Augustus Nicodemus

49- Sementes de esperança
Jung Mo Sung

48- Para curar um mundo fraturado
Jonathan Sacks

47- Se eu pudesse viver minha vida novamente…
Rubem Alves

46- A morte de Ivan Ilitch
Leon Tolstoi

45- Tudo se fez novo
Henri Nouwen

44- A maleta do meu pai
Orhan Pamuk

43- A faca no peito
Adélia Prado

42- Aprender a viver
Luc Ferry

41- Sonetos para amar o amor
Luís Vaz de Camões

40- Para viver com poesia
Mario Quintana

39- Notas do Subterrâneo
Fiodor Dostoievski

38- Quando tudo não é o bastante
Harold Kushner

37- Vidas Desperdiçadas
Zygmunt Bauman

36- Jesus a.C
Paulo Leminski

35- Confesso que vivi
Pablo Neruda

34- O Desespero Humano
Sören Kierkegaard

33- O Schabat
Abraham Joshua Heschel

32- A abolição do Homem
C.S. Lewis

31- A Oração de Jabez
Bruce Wilkinson

30- Posso escrever os versos mais tristes
Pablo Neruda

29- Claro Enigma
Carlos Drummond de Andrade

28- Cem sonetos de amor
Pablo Neruda

27- Jardim de Inverno
Pablo Neruda

26- A arte de semear estrelas
Frei Betto

25- O Amor esquece de começar
Fabrício Carpinejar

24- O diálogo das religiões
Andrés Torres Queiruga

23- A quintessência do desassossego
Fernando Pessoa

22- Desafios aos cristãos do Século XXI
Jose Comblin

21- Diálogos criativos
Domenico De Masi e Frei Betto

20- A vida humana
André Comte-Sponville

19- Meet me in Istanbul
Richard Chisholm

18- Espiritualidade – Um caminho de transformação
Leonardo Boff

17- Pais ausentes, filhos online
Ivan Lima de Azevedo

16- A arte da Guerra
Sun Tzu

15- Os 100 acontecimentos mais importantes da História do Cristianismo
A.Kenneth Curtis, J.Stephen Lang e Randy Petersen

14- Triunfando num Mar de Crises
Ricardo Gondim

13- Os fatos sobre o Movimento da Fé
John Ankerberg e John Weldon

12- Alma Sobrevivente
Philip Yancey

11- Século 21 – Estamos sendo seduzidos!
Samuel Costa

10- Quintana de Bolso: Rua dos Cataventos e outros poemas
Mario Quintana

9- Super Crentes
Paulo Romeiro

8- Manual sobre o Espírito Santo
Mike Murdock

7- Aprendendo com o Sofrimento
Silas Malafaia

6- Entendendo o Ministério Profético à luz da Bíblia
Roberto Carlos Cruvinel

5- Cristianismo – Fraude ou Fato histórico?
Josh McDowell

4- Construindo uma vida
Roberto Justus

3- Marcado para morrer
Charles R. Swindoll

2- O Poder através da Oração
E.M. Bounds

1- Condenado a Falar
Jorge Kajuru