O nascimento do primeiro poente

“Então, o flamingo se lançou, arco e flecha se crisparam em seu corpo. E ei-lo, eleito, elegante, se despindo do peso. Assim, visto em voo, dir-se-ia que o céu se vertebrara e a nuvem, adiante, não era senão alma de passarinho. Dir-se-ia mais: que era a própria luz que voava. E o pássaro ia se desfolhando, asa em asa, as transparentes páginas do céu. Mas um bater de plumas e, de repente, a todos pareceu que o horizonte se vermelhava. Transitava de azul para tons escuros, roxos e liliáceos. Tudo se passando como se um incêndio. Nascia, assim, o primeiro poente. Quando o flamingo se extinguiu, a noite se estreou naquela terra.”

Mia Couto em O último voo do flamingo

Publicado em: às janeiro 27, 2012 em 2:08 am  Comentários desativados  

Brasa

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo.

Alice Ruiz

Publicado em: às janeiro 26, 2012 em 11:00 pm  Comentários desativados  

Teus lábios inquietos

Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros…

Gilka Machado

Publicado em: às janeiro 25, 2012 em 10:58 pm  Comentários desativados  

A fé, a dúvida e o medo

Nos evangelhos, a fé não se opõe à dúvida, mas ao medo, que aparece quando abandonamos a ilusão das verdades absolutas e enfrentamos a vida.

Jung Mo Sung

Publicado em: às janeiro 24, 2012 em 10:56 pm  Comentários desativados  

O umbigo do mundo

“O que faz a lágrima? A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início. Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo. A lágrima plagia o oceano.”

Mia Couto em O último voo do flamingo

Publicado em: às janeiro 23, 2012 em 9:55 am  Comentários desativados  

Pessoas eternamente alegres

“A uma felicidade sem história, não é melhor preferir uma história sem felicidade, mas plena de sobressaltos? Pois não existe nada pior do que pessoas eternamente alegres, seja qual for a circunstância, como uma máscara radiosa pendurada na cara como se amargassem uma condenação eterna à alegria.”

Pascal Bruckner em A Euforia Perpétua

Publicado em: às janeiro 22, 2012 em 9:51 am  Comentários desativados  

Pequeno irmão

Sim, quero ver a tua vida em detalhes, minuto a minuto, e ouvir as palavras que jorram de tua boca, rir o teu riso e enraivecer-me com o teu rancor, assistir à tua paquera, ao teu namoro, ao teu gesto de carinho, à tua transa, espelhando tua beleza em minha indigência.

Quero abandonar amizades, trabalhos, livros, lazer e, olhos pregados em tua magia, absorver a tua arte de movimentar-se no labirinto da quimera, livre de dores e afazeres, mergulhada na fama e na fortuna.

Venerarei o teu ócio na vitrine, exibindo-se sem pudor a milhões de olhos, despida por infinitas imaginações, liberta das grades odiosas dessa existência de penúria, anônima, escrava da rotina atroz de quem jamais aprendeu a voar.

Abrirei em meu monitor a porta da tua casa mágica e, sob o peso de minhas carências, ingressarei virtualmente em tua liberdade, no teu gozo, no teu charme, como quem toca com os olhos veneráveis ícones que nos fazem transcender a mediocridade cotidiana.

Minha fidelidade ao teu exibicionismo será a chancela que proclamará tua vida como real e, do lado de cá, buscarei minha alforria em tuas loucuras, em teus jogos e em tuas danças.

Quero decifrar em ti minha própria intimidade, rasgar minha alma em tuas mãos e deixar minha mente impregnar-se dessa ilusão que faz de mim teu pequeno irmão.

Recobrirei minha realidade com tua fantasia e farei de teu espetáculo o brilho de meus olhos vazados, nessa permuta hipnótica de quem busca a complacência com seus próprios limites para tentar encobrir a mesquinhez que me corrói.

Ficarei atento ao teu banho, ao teu sexo, à tua ira e às tuas refeições, fiel à exposição perene deste teu ser desprovido de preocupações e conteúdos, entregue a esta liberdade que faz de ti o que não sou, e me permite projetar em teu vigor as minhas fraquezas e em teu esplendor o gosto amargo de meu anonimato.

Verei em tua janela, que se abre em minha casa, a subversão de todos os valores, como se nos cômodos que te abrigam findassem todos os princípios, escorrendo pelo ralo tudo aquilo que soava como sinônimo de decência.

Ampliados pela eletrônica, meus olhos contemplarão as tuas intimidades mais ousadas. Sentirei os teus odores e beberei o teu suor.

Esticarei o meu olhar até os limites proibitivos do escárnio e, quem sabe, verei o teu rancor extirpar toda a agressividade que jaz em meu peito e a tua voracidade explodir em taras que haverão de suprir os meus desejos mais ignóbeis e saciar as minhas pulsões mais abjetas.

Deste lado da tela, sentirei os teus sentimentos e comungarei as tuas emoções, vendo-te virar pelo avesso nesse zoológico de luxo, exposta à multidão como carne no açougue, a engordar no balcão do voyeurismo a gorda soma dos teus patrocinadores.

Em ti livrar-me-ei de todo ideal que não seja fazer da vida um jogo de entretenimentos, a sedução epidérmica como sucedâneo de quem não atinge as profundezas do amor, vendo-te representar a ti mesma sob os aplausos invejosos de meu olhar sequioso, preso ao teu desempenho huit-clos.

Aprisionarei tua vida em meu olhar, tornar-me-ei teu carcereiro eletrônico, decidindo o teu presente e o teu futuro absolvendo-te ou condenando-te, juiz supremo que se ignora refém do próprio equívoco.

Inebriado com tuas loucuras, te elegerei objeto supremo de minha admiração, deixando-me devorar pelo teu sucesso, do qual farei tema de todas as minhas conversas.

À espera de que os corvos venham devorar o meu coração, quero ser consumido e consumado por ti, até que eu possa ver também o marido espancar a mulher, o filho estuprar a mãe, o pai assassinar a filha, enfim, o horror, o horror, o horror, pois sei que o show não pode parar e que o seu limite é não ter limites.

Frei Betto

Publicado em: às janeiro 21, 2012 em 12:25 pm  Comentários desativados  

As ocasiões perdidas

“As ocasiões perdidas: uma palavra que não foi pronunciada, uma mão que não foi estendida, um gesto esboçado e logo desfeito, tantos momentos nos quais, por medo ou timidez, nosso destino não foi modificado.”

Pascal Bruckner em A Euforia Perpétua

Publicado em: às janeiro 21, 2012 em 9:49 am  Comentários desativados  

Nenhum perigo

O medo é um sentimento que os homens adoram experimentar quando estão certos de não correr nenhum perigo.

Edgar Allan Poe

Publicado em: às janeiro 20, 2012 em 9:47 am  Comentários desativados  

O efeito de uma graça

“Os saberes e as ciências mais elaboradas devem confessar sua impotência em garantir a felicidade dos povos ou dos indivíduos. Esta, cada vez que nos toca, produz o efeito de uma graça, de um favor, não de um cálculo, de uma conduta específica.”

Pascal Brucker em A Euforia Perpétua

Publicado em: às janeiro 19, 2012 em 9:45 am  Comentários desativados  

Tudo serve

Construo-me com retalhos, cacos, estilhaços. Tudo serve: dores, decepções, alegrias, sonhos, quietudes, desejos.

Ricardo Gondim

Publicado em: às janeiro 18, 2012 em 9:44 am  Comentários desativados  

Essa pessoa

O poeta é essa pessoa que pensa com o corpo inteiro.

Laion Monteiro

Publicado em: às janeiro 17, 2012 em 9:43 am  Comentários (2)  

Quando se trata de sentimentos

“Podemos odiar o medo, querer extirpá-lo de nossas vidas, mas nem sempre o fazemos pela via mais simples, porque é muito difícil combater um sentimento. Melhor, quando se trata de sentimentos, aprender a conviver com eles. Um sentimento cresce na exata proporção em que o negamos. Torna-se mais leve quando o aceitamos. É a única chance de que nos deixe em paz.”

Marcia Tiburi

Publicado em: às janeiro 16, 2012 em 9:41 am  Comentários desativados  

Riqueza minha

Riqueza minha essa:
a de ter pra quem voltar
no fim do dia.

Laion Monteiro

Publicado em: às janeiro 15, 2012 em 9:38 am  Deixe um comentário  

Mais um coração

Era o que ela precisava: de mais um coração pra dividir a saudade.

Laion Monteiro

Publicado em: às janeiro 14, 2012 em 2:15 am  Deixe um comentário  

Todo ódio

Todo ódio é uma forma descontrolada e deturpada de desejo.

Marcia Tiburi

Publicado em: às janeiro 13, 2012 em 2:13 am  Comentários desativados  

O aniquilamento da não-violência

Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade.
Bernard Charbonneau, falando em nome do anarquista cristão Jacques Ellul

Aquilo que o diabo sonhou por milênios, um mundo em que não fosse mais possível viver uma vida de não-agressão, o capitalismo neoliberal possibilitou, evangelizou e metastaseou planeta afora. O nosso é um mundo em que não há mais santos, pacifistas ou mesmo gente boa. Ele foi de fato concebido, no seu ventre ideológico, de modo a que não subsista a virtude nem tenha como subsistir.

Houve épocas em que bolsões de paz e de boa vontade, muitos deles sustentados diretamente pelo sopro de Jesus de Nazaré, proveram santuário a este mundo. Os ramos da família anabatista em particular (por exemplo, os irmãos menonitas) foram por séculos os portadores de uma longa e radical tradição cristã de não-violência – inspirando e sendo inspirados por gente como Erasmo, Tolstoi, Gandhi e Martin Luther King. Um fogo semelhante nunca deixou de arder no coração da experiência católica, encarnado (por exemplo) nas paixões de Francesco, no ideal da aventura monástica e na lucidez de Dorothy Day. A não-agressão está, além disso, muito entranhada no ideário de tradições religiosas não-cristãs, em especial no budismo e no jainismo.

Esses, no entanto, foram ideais e realidades de uma outra era, açudes esgotados e sonhos anulados pela amoral capitalista. Ninguém mais é livre, por isso ninguém mais tem como dar-se ao luxo de ser bom.

Oculta por trás de multiformes manifestações e múltiplos falsos destinos, o capitalismo tem uma só regra, mas é uma regra rígida: conforme-se. Não me interessa o quê, consuma. Acredite no que quiser, apenas compre. Quem não sabe comprar deve ser ensinado a aprender, e as culturas e pessoas que não estão interessadas em consumir ou em impor seu modo de vida às demais estão condenadas à execração e à morte social, cultural e econômica.

Resistir é inútil. A função da propaganda (e a propaganda ocupou cada centímetro do espaço social) é evangelizar você com a má nova de que você não é feliz, e de que não terá como ser feliz até aprender a comprar o quanto baste, isto é, sem parar. Olhe pra você. Você está longe de ter toda a autorrealização que pode comprar. Para imprimir credibilidade à sua mediocridade você deve consumir. Para se destacar você deve fazer como todos.

A questão central, que as luzes do shopping simplesmente não nos deixam enxergar, é que consumir é agredir, especialmente num mundo interligado como o nosso. Não restam pessoas pacíficas entre nós, nem uma sequer. Não há gente não-violenta, porque todos consumimos.

Há inúmeros sentidos em que, dentro de um capitalismo global, consumir é agredir. Talvez baste citar dois.

Primeiro há a questão dos recursos naturais, e mesmo aqueles dentre nós que creem que o espírito empreendedor não tem limites deveriam poder entender que os recursos têm. Se 20% da população da Terra consomem 80% dos recursos disponibilizados pelo planeta, resulta em primeiro lugar que os bem-sucedidos dentre nós são os que desfrutam muito desautorizadamente do que não é seu. Não importa o que você acredite, o seu MBA não o qualifica a usar o recurso planetário que pertence tanto a você quanto ao seu irmão de um dos sertões do mundo. Na marca dos 7 bilhões de condôminos, a Terra é um cortiço que está ficando pequeno, e nesse condomínio uma minoria dilapida segundo os seus (os nossos) próprios caprichos um patrimônio que é comum, e despeja ao mesmo tempo o seu (o nosso) lixo sobre a cabeça de uma minoria que absolutamente não é responsável por ele.

Além disso, a presente taxa de utilização dos recursos naturais representa não apenas um ultraje para o presente, para gente que está viva agora, mas uma ameaça para o futuro – uma ameaça para os que nascem hoje e terão de encontrar espaço de vida e de dignidade amanhã. Não há como não concordar com os que alertam que é tarde demais para ser pessimista: “sustentável” é menos uma diretiva do que um sonho. Sustentável é o que o futuro seria na melhor das hipóteses, se o nosso presente também fosse. Consumir é agredir porque é de fato consumir, fazer desaparecer – é queimar um mundo que não nos pertence, e como se não houvesse amanhã.

Em segundo lugar, consumir é agredir porque, num espaço de produção globalizado, você não é obrigado a testemunhar as injustiças que patrocinam os seus hábitos de consumo. O capitalismo não apenas alienou o trabalhador do fruto do seu trabalho, conforme diagnosticado por Marx, mas separou também o consumidor da realidade do valor e da produção. Amigo, nada neste mundo custa 1,99. Tudo neste planeta é muito valioso. Tudo é caríssimo, em especial as horas-gente e as horas-futuro, que são horas-vida. Acredite, a máquina fotográfica que você tem no bolso é uma milagre e o seria em qualquer tempo e qualquer universo; se você paga por ela coisa de 30 almoços é porque alguém está pagando o restante do valor – e via de regra é o chinês apertado numa fábrica, com as mesmas condições de conforto e o mesmo espaço para se esticar que o frango industrial de que você comprou ontem o filé. E os operários em todo o mundo se sujeitam a esse tipo de indignidade apenas porque vendemos a eles, constantemente e com toda a eficiência, o sonho de aprenderem a comprar com a mesma eficácia que nós mesmos. E quem não gostaria de estar no nosso lugar? Todos os que consumimos, de iPads a goiabinhas Piraquê, somos senhores de escravos.

Desse modo não é difícil entender, com Jean Baudrillard, porque discriminação e exclusão são consequências diretas e imediatas da globalização. O capitalismo tecnológico quer impor sobre as culturas e sobre os indivíduos uma solução de vida sem verdadeira alternativa; todos os que não se submetem ou não desejam esse modo de vida estão por definição discriminados e excluídos. E mesmo os que se sujeitam a desejar a solução indiferenciada tem de submeter-se ainda à pedra de moer da eterna insatisfação: a máquina capitalista só funciona enquanto e porque todos nos sentimos pelo menos um pouco discriminados e excluídos, e entendemos que o consumo do produto almejado nos curará dessa inadequação. Gente satisfeita com o que tem (ou com o que não tem) representa a morte do capitalismo; não é à toa que o capitalismo esteja tão bem de saúde.

Não foi à toa que Gandhi entendeu depressa que para abraçar adequadamente o ideal da não-agressão não bastava baixar as armas e oferecer a outra face: era preciso afastar-se deliberadamente das cadeias do consumo e adotar um modo de vida ao mesmo tempo responsável e sustentável. Ele intuiu que a verdadeira não-violência, no seu sentido mais radical da coisa, requer consumir o que se planta, vestir o que se fia, assumir a responsabilidade pelo próprio lixo, abrir mão das ilusões do consumo, abandonar as armadilhas da novidade e ignorar a ficção útil da propriedade privada1. E o capitalismo está construído de modo a que você permaneça convencido de que não tem liberdade para fazer qualquer uma dessas coisas.

A perfeição do mecanismo está em que somos nós mesmos nossos catequizadores. Nosso modo de vida insiste, na verdade ele comprova, que não existe uma alternativa ao moinho do consumo. Você não é livre e jamais será, mas não vai sentir falta da liberdade enquanto estiver com um cartão de crédito ou sonhando com um.

Como resultado, a violência foi efetivamente institucionalizada, tendo se tornado o combustível até mesmo dos mais inocentes. A liberdade que temos, quando temos, é a de escolher, a cada momento, a agressão menor – e mesmo essa frágil decisão está se tornando cada vez mais difícil e improvável. As cadeias são cada vez mais eficazes e os encadeamentos cada vez mais complexos. Quem pode nos ensinar a viver de outra forma? Somos paupérrimos, só sabemos comprar para viver. O ciclo de agressão da produtividade e do consumo está entranhado em tudo que fazemos, tudo que desejamos, tudo que sonhamos. Os mais carolas, amantes de paz e inofensivos dentre nós patrocinam a agressão aberta e foram para sempre maculados por ela. Somos todos cúmplices e vítimas da mesma violência capital.

A tragédia está em que o amor não foi capaz de nos unir, mas a complacência universal com a injustiça nos tornou irmãos. Somos a máfia, e na máfia todos se cuidam, para que a máfia não tenha como mudar. Da máfia ninguém sai.

Paulo Brabo

Publicado em: às janeiro 12, 2012 em 9:33 am  Comentários desativados  

O que você crê

O que você crê não muda o que é, muda você.

Ed René Kivitz

Publicado em: às janeiro 12, 2012 em 2:11 am  Comentários desativados  

Jung e Cristo

“Nós, protestantes, teremos mais cedo ou mais tarde de enfrentar a seguinte questão: devemos entender a imitação de Cristo no sentido de que devemos copiar sua vida e, se é que posso usar essa expressão, simular seus estigmas; ou no sentido mais profundo de que devemos viver nossas próprias vidas de forma tão verdadeira quanto ele viveu a sua em todas as suas implicações? Não é coisa fácil viver uma vida modelada na de Cristo, mas é indizivelmente mais difícil viver nossa própria vida de forma tão verdadeira quanto Cristo viveu a dele.”

Carl Jung

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:40 pm  Comentários desativados  

Apenas porque discordamos

Não devemos partir do pressuposto de que, apenas porque discordamos, um de nós esteja certo e o outro errado.

Paulo Brabo

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:36 pm  Comentários desativados  

Liberdade e dignidade

Sempre que perdemos a liberdade perdemos também a dignidade. Uma depende da outra.

Fabrício Carpinejar

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:32 pm  Comentários desativados  

Limite do ego

O limite do ego é a pele. Ao tocar, a pessoa se envolve, se confunde com o outro.

José Ângelo Gaiarsa

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:30 pm  Comentários desativados  

Perdido de si

A pior prisão é estar perdido de si mesmo.

Monica Machado

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:29 pm  Comentários desativados  

Veia da vida

Saudade é quando sangra a veia da vida.

Laion Monteiro

Publicado em: às janeiro 4, 2012 em 1:27 pm  Deixe um comentário  

Quatro maneiras de perder o poder

“Mas o problema de perpetuar uma sociedade hierárquica é mais profundo do que isso. Há somente quatro maneiras de um grupo dominante perder o poder: ou bem é vencido de fora, ou governa tão mal que as massas são levadas a revoltar-se, ou permite que um grupo Médio forte e descontente passe a existir, ou perde a autoconfiança e o desejo de governar. Essas causas não atuam de modo separado; quase sempre estão presentes em algum medida. Uma classe dominante capaz de proteger-se de todas elas ficaria permanentemente no poder. No fim das contas, o fato decisivo é a atitude mental da própria classe dominante.”

George Orwell em 1984

Publicado em: às janeiro 2, 2012 em 5:56 pm  Comentários desativados  

Manipular a opinião pública

“A invenção da imprensa, contudo, facilitara a tarefa de manipular a opinião pública, e o cinema e o rádio aprofundaram o processo. Com o desenvolvimento da televisão e o avanço técnico que possibilitou a recepção e a transmissão simultâneas por intermédio do mesmo aparelho, a vida privada chegou ao fim. Todos os cidadãos, ou pelo menos os cidadãos suficientemente importantes para justificar a vigilância, podiam ser mantidos vinte e quatro horas por dia sob o olhos da polícia, ouvindo a propaganda oficial, com todos os outros canais de comunicação fechado. A possibilidade de obrigar todos os cidadãos a observar estrita obediência às determinações do Estado e completa uniformidade de opinião sobre todos os assuntos existia pela primeira vez.”

George Orwell em 1984

Publicado em: às janeiro 1, 2012 em 5:53 pm  Comentários desativados  

Onde há amor

Onde há Amor, o silêncio não constrange, o erro não define, a falência não é acusadora, a falha é perdoada, o abraço é essencial, a distância é dolorida, os sonhos são repartidos, as alegrias multiplicadas, as dores divididas, pequenos gestos são grandes memoriais e assim vida ganha sentido.

Villy Fomin

Publicado em: às dezembro 27, 2011 em 8:57 pm  Comentários desativados  

Como água

“Winston já não pensava; era pura sensação. A cintura da garota, cingida pela curva de seu braço, era macia e cálida. Puxou-a para si e os dois ficaram frente a frente com os peitos encostados, e o corpo dela pareceu fundir-se ao dele. Por onde quer que ele passasse as mãos, parecia-lhe que ela se abria como água. Suas bocas se colaram uma à outra; foi bem diferente dos beijos sôfregos que haviam trocado antes. Quando seus rostos afastaram de novo, ambos soltaram suspiros profundos. O passarinho se assustou e alçou voo num estrépito de asas.”

George Orwell em 1984

Publicado em: às dezembro 27, 2011 em 12:23 am  Comentários desativados  

A biografia de Deus

O menino nasceu. E a biografia de Deus nunca mais seria a mesma.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 27, 2011 em 12:02 am  Deixe um comentário  

Abismo invertido

Num abismo invertido. Mais um passo e caímos no céu.

Kha Tembe

Publicado em: às dezembro 22, 2011 em 4:59 pm  Comentários desativados  

Sobre manipular antônimos

As freiras nos ensinaram que há dois caminhos: o caminho da natureza e o caminho da graça. Você tem de escolher que caminho seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Aceita ser menosprezada, esquecida, escanteada. Aceita insultos e ofensas. A natureza só quer agradar a si mesma. Obriga os outros a agradá-la também. Tem prazer em controlar, em impor sua vontade. Encontra motivos para ser infeliz quando o mundo inteiro está resplandecendo ao seu redor, e o amor está sorrindo através de todas as coisas.

A narração inicial de Árvore da vida, de Terrence Malick

É sabido que critérios de classificação são coisa sempre arbitrária e artificial, pouco importando o que está sendo classificado, e que portanto as classificações prestam-se com facilidade a servir de ferramentas ideológicas de manipulação. Colocar rótulos sobre as coisas é simplificá-las, e simplificá-las é em si mesmo evitar uma discussão mais profunda (e possivelmente incômoda) sobre a natureza das coisas, do estado das coisas e do que é desejável e legítimo.

Mas não é só classificando, definindo e rotulando que se manipulam ideias e portanto pessoas; outro modo de sustentar uma ideologia é controlando-se os polos, manipulando-se artificialmente os antônimos de conceitos que são fundamentais para a manutenção do estado de coisas. “Qual é o contrário de [determinada coisa]” é uma pergunta que tem quase sempre uma resposta política.

Qual é o contrário de governo? Qual é o oposto de religião? Qual é o contrário de democracia1? As respostas ao mesmo tempo muito vagas e muito definidas que tendemos a imaginar para perguntas dessa natureza testemunham por si só o status de vaca sagrada de cada um desses conceitos, e explicam também porque é tão raro que nos façamos esse tipo de pergunta. “Qual é o contrário disso?” pode também significar “existirá uma alternativa a isso?”, e uma resposta não-determinada para questões desse tipo pode representar um risco muito real para o sistema.

Sendo assim, determinar-se em regime artificial o antônimo de um conceito pode equivaler a garantir que jamais se encontrará uma alternativa ideológica legítima para ele. É certificar-se que a reflexão não ameace o estado de coisas. Dizer-se, por exemplo, “o contrário de capitalismo é socialismo” é assegurar que grande parte da sociedade entenda que os horrores atribuídos ao segundo garantem que não há verdadeira alternativa para o primeiro.

Se digo tudo isso é só para declarar o óbvio, que o oposto de capitalismo não é socialismo. O oposto de capitalismo é vida, gentileza, liberdade e convivência – aquilo que em outro tempo se convencionava chamar de cristianismo.

Paulo Brabo

Publicado em: às dezembro 22, 2011 em 11:44 am  Comentários desativados  

Se nossa maneira

Se nossa maneira de ler a Bíblia nos faz arrogantes, então, independente de qual seja nossa linha teológica, estamos lendo a Bíblia errado.

Bernardo Cho

Publicado em: às dezembro 21, 2011 em 4:52 pm  Comentários desativados  

Reações instintivas

“Dissimular os próprios sentimentos, manter a expressão do rosto sob controle, fazer o que os outros fazem: tudo reações instintivas.”

George Orwell em 1984

Publicado em: às dezembro 20, 2011 em 4:48 pm  Comentários desativados  

Mas eu vi

Ninguém viu, mas eu vi: o sol tímido na presença do teu rosto.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 20, 2011 em 1:38 pm  Comentários desativados  

Nunca

No amor, nunca subestime os detalhes.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 15, 2011 em 9:47 pm  Deixe um comentário  

Nenhum dos dois

O verdadeiro amor é anônimo. Nenhum dos dois reivindica autoria, nenhum dos dois quer ser melhor do que o outro.

Fabrício Carpinejar

Publicado em: às dezembro 15, 2011 em 7:49 pm  Comentários desativados  

Talvez seja esse o preço

Afoitos pisam em cadarços, mordem a língua, perdem o sono – talvez esse seja o preço de quem acha que só sobreviver não basta.

Ricardo Gondim

Publicado em: às dezembro 15, 2011 em 6:41 pm  Comentários desativados  

Só não sabemos explicar

Você pode até não acreditar no amor.
Só não sabemos explicar aquilo que,
vez por outra,
dá no coração – avassalador.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 14, 2011 em 4:49 pm  Deixe um comentário  

Um novo mar

Na praia, viraram um lastro. E o líquido que deles gotejava foi criando um novo mar na areia.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 13, 2011 em 10:40 pm  Deixe um comentário  

E a verdade cuidará

Cuide da liberdade e a verdade cuidará de si mesma.

Richard Rorty

Publicado em: às dezembro 13, 2011 em 9:43 pm  Comentários desativados  

Maturidade

Maturidade é pensar. Maturidade é saber que existem coisas na vida que eu posso fazer, mas as mãos vão ficar feridas.

Villy Fomin

Publicado em: às dezembro 13, 2011 em 2:28 am  Comentários desativados  

Finalmente

Na morte, que pena, finalmente a perfeição.

Elienai Jr.

Publicado em: às dezembro 13, 2011 em 12:49 am  Comentários desativados  

Cemitério de agonias

A cama lhes foi um cemitério de agonias. Conjugação de pele. Descobriam-se ali de novo e o lençol virou uma terra úmida. Dois mortos.

Laion Monteiro

Publicado em: às dezembro 7, 2011 em 10:39 pm  Deixe um comentário  

E esse seu olhar

Esqueci meu coração batendo. Meus lábios sentiram a sua carne quente e o mundo ficou em silêncio. Era apenas a gente lá e aquelas borboletas no estômago. Você ficou falando das sete maravilhas do mundo quando eu tinha certeza que elas estavam bem ali na minha frente: o seu sorriso e esse seu olhar quando pousava em mim.

Rita Schultz

Publicado em: às dezembro 7, 2011 em 10:13 pm  Comentários desativados  

Quem acha

Por detrás do “Atire a primeira pedra quem não tem pecado”, ele dizia, “Atire a primeira pedra quem achar que nunca dependerá do amor”.

Laion Monteiro

Publicado em: às novembro 30, 2011 em 3:01 am  Deixe um comentário  

A gente não cansa de amar

A gente não cansa de amar, a gente cansa de não ser amado.

Fabrício Carpinejar

Publicado em: às novembro 28, 2011 em 11:11 pm  Comentários desativados  

Jesus, patrono da maturidade

“Jesus recusava-se, por um lado, a gastar um instante que fosse do seu tempo expondo ou discutindo teologia. Era contando histórias que ele desfiava indicações sobre a natureza e os desafios do Reino. Era no calor sem sofisticação de estradas, de refeições, de curas e de abraços – no calor da vida real – que ele mostrava como o Reino se deveria viver.

Por outro lado, ele recusava-se de modo consistente a fornecer ao seu público o conforto almejado das listas de proibições. Jesus não só negava-se a falar da vida abundante em termos de obediência a interdições, como repelia com exuberância as tentativas que as pessoas por vezes faziam de, às custas dele, reduzir a ética a uma resposta “sim ou não” para um problema complexo.

[...]

Jesus, patrono da maturidade, perguntava a seus discípulos porque eles não discerniam por si mesmos o que era correto, e ensinava que as prostitutas chegam ao céu antes dos religiosos. Hoje em dia as igrejas, patrocinando a imaturidade, explicam que a Bíblia é uma norma inflexível de conduta, e ousam dizer a gente adulta, capaz de ler os evangelhos por si mesma, que criança boazinha é que vai para o céu.”

Paulo Brabo

Publicado em: às novembro 25, 2011 em 1:48 pm  Comentários desativados  

Sentimento impuro

A pureza, que condena à solidão, impõe culpa. O amor é a mistura que redime, nome que damos ao surpreendente, ao inventivo, à novidade, à graça.

Elienai Jr.

Publicado em: às novembro 24, 2011 em 1:45 pm  Comentários desativados  

Imagem idealizada de si

Quem projeta uma imagem idealizada de si, cedo ou tarde precisará de alguma máscara.

Ricardo Gondim

Publicado em: às novembro 23, 2011 em 1:03 pm  Comentários desativados  

Mas a memória

“Mas a memória é o que definitivamente nos dá poder sobre a morte, mantendo vivas as pessoas em nossos corações. A memória é o que nos dá poder sobre o tempo, mantendo o passado presente, de modo que ele não possa apagar ou roubar aquilo que uma vez foi precioso para nós. E, tanto quanto sabemos, apenas os seres humanos têm isso. Num certo sentido, nosso tempo na terra é limitado, mas em outro sentido, não. Não temos somente o hoje, temos todos os ontens que somos capazes de lembrar, e todos os amanhãs que pudermos imaginar.”

Harold Kushner em O quanto é preciso ser bom?

Publicado em: às novembro 22, 2011 em 2:32 pm  Comentários desativados  
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