Sempre fomos livres nas profundezas
de nosso coração, totalmente livres,
homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo,
mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito.
Maharal de Praga
Sempre fomos livres nas profundezas
de nosso coração, totalmente livres,
homens e mulheres.
Fomos escravos no mundo externo,
mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito.
Maharal de Praga
Fui sabendo de mim, por aquilo que perdia.
Mia Couto
Ricardo Gondim
Fomos tecidos como tramas enredadas nos fios da espera. Nossa sorte está enlaçada nos abraços e nas despedidas. Aprendizes de feiticeiros, misturamos contingência e necessidade na receita que pode desvendar o significado da esperança. Somos enigma feito de susto e descanso, sombra e luz, tragédia e comédia, acerto e erro.
Fomos talhados no único granito que o tempo não corrói: a impermanência. Não passamos de um conto ligeiro. Trágicos, descemos as escarpas do tempo. Inebriados pelas alturas, invejamos as águias que passeiam, sobranceiras, acima da nossa pequenez. A brevidade parece não nos assustar. Preferimos os patamares sólidos a ousar. Passamos anos sem ver as magníficas paisagens que os abismos nos oferecem. Tolos, resignamo-nos à mesmice; sem coragem para driblar a morte esperamos que ela tome iniciativa.
Contentes, aceitamos a sina de nos manter esboços de uma imaginação nunca concretizada. Aceitamos fantasias que nos mascaram de nós mesmos. Quebramos espelho para não encarar os absurdos que nos esbofeteiam. Sabemos da estupidez da miséria, mas nos convencemos: não há muito o que fazer – também jogamos o pobre para bem longe, tudo além-mar fica distante. Não faltam bons argumentos para explicar a insanidade da guerra – qualquer uma pode ser considerada “guerra justa”. Se nos deparamos com a injustiça, a gaveta da providência divina cabe um horror a mais. Se por um algum momento parecemos realistas e peitamos o mal, na maioria das vezes não passamos de tímidos, indiferentes para com os indefesos. Se propagandeamos altruísmo, o próximo mais próximo sabe: somos interesseiros.
Fomos formados com réstias dos desejos de nossos pais. Crescemos para cumprir vontades e expectativas alheias. Por mais que nos blindemos, não achamos jeito de preservar o coração dos germens da maldade. No esforço de não sucumbir à ferocidade humana, tentamos achar poesia nas estrelas e romantismo na lua. O mundo nos asfixia. As tribulações nos fadigam. As tempestades nos desesperam. Daí a necessidade de dizer que o arco-íris, mais que um fenômeno físico, traz mensagem divina.
Apenas respirar não basta. Ansiamos pela emoção de soluçar com a ternura. Teimamos em brindar momentos significativos, mesmo que efêmeros. Inconformados com a afobação dos anos, confessamos às paredes: amamos viver.
Fomos criados faíscas do Mistério. A eternidade cabe dentro da gente. Por isso não nos contemos nas cercas. Nossa vida pulsa com inquietude. Nascemos para repensar roteiros, queimar bulas, rasgar mapas. Demandas e ameaças do rei não nos intimidam. Se nos dizem este é o melhor mundo possível, rebeldes, imaginamos outro reino. Corajosos, encaramos a sina do possível não-ser com esperança. Espezinhamos a ameaça da fatalidade. Fazemos música com o fado.
Contraditórios, claudicantes, cruéis, benignos, solidários, artífices do bem, fomos feitos de amor.
Soli Deo Gloria
“a razão está a serviço da paixão.”
Dostoiévski em Crime e Castigo
“Ele é um homem inteligente, mas para agir de modo inteligente a inteligência sozinha não basta.”
Dostoiévski em Crime e Castigo
“Eu estou absolutamente convencido de que a liberdade não cresce nem se constitui sem limites. O grande problema da liberdade é como assumir os limites eticamente, e não como assumir com medo da autoridade. Por exemplo, o pai que grita e esperneia e que tem o filho silenciado não é o pai que convence, que discute e que tem o filho silencioso. O que eu quero é um filho que saiba assumir o silêncio e não que viva silenciado. Isso exige um respeito ético dos limites.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“Porque no fundo você nunca espera a dor terrível que significa o corpo do outro parar. E eu tive essa experiência trágica de perder Elza no meu corpo, no meu peito. E foi uma coisa dramática. Eu senti um desgosto de viver. Houve uma ruptura enorme que se pôs diante de mim, entre mim e o mundo, entre mim e a vida. E eu me desencantei. E me amofinei. E meus filhos, meus amigos mais próximos, mais íntimos, duvidavam até de se eu era capaz de dar o salto depois. É interessante.
Sabe, hoje estou convencido, possivelmente até muita gente estranhou, que tendo vivido tão intensa e plenamente com Elza por 42 anos, que eu me casasse de novo. Possivelmente, todo mundo tem direito a fazer conjecturas em torno da vida dos outros. E, possivelmente, até eu, que se não fosse comigo, poderia ter feito essa conjectura, como outro qualquer. Depois de ter experimentado o que eu experimentei, nunca mais eu faço essa conjectura com outro qualquer. E eu hoje estou convencido de que quanto mais você amou, tanto mais você pode continuar a amar. E quanto menos você pôde amar, tanto menos você continua a poder amar. A minha experiência com Elza tinha sido uma experiência tão plena, tão enorme e tão fantástica, que eu não pude ficar só. Não dava. Quer dizer, eu tinha que continuar amando. Mas, pra que eu continuasse a amar, era preciso que eu sepultasse Elza. E o que eu quero dizer com isso é que ela já havia sido sepultada no dia seguinte ao da sua morte. Mas você pode sepultar uma pessoa em 1992, e manter a pessoa viva até o ano 2000, 2010. Você passa a ter uma experiência necrofílica. E você deixa de amar a vida, e passa a amar a morte. Da tentativa de ressuscitar o morto, que não dá, porque o teu poder não é suficiente para plenamente ressuscitar o morto. Então, é preciso sepultar o grande amor, é preciso reconhecer ou assumir a ausência dele. No momento em que você assume a ausência, a ausência muda de qualidade. Já não é uma ausência dramática e dolorida, porque passa a virar uma presença remota. A ausência se veste de uma saudade risonha, em que você convive com a positividade do passado. Aí você está disposto de novo a reabrir-se ao mundo.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“Cada vez mais, como cristão, me sinto um homem no mundo e com o mundo – o que vale dizer -, com os homens. E, como tal, não vejo como possamos criar guetos de pureza, nem de virtudes, nem de verdades. O que quero, como cristão, é o mundo humanizando-se em que os homens possam ser mais. E, nesta busca, não vejo por que não estar com quem a queira, independentemente de se fez ou não a primeira comunhão ou de se vai à missa…”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim.
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
Viviane Mosé
Saudades denunciam existências.
Laion Monteiro
“O que ameaça a liberdade não é, porém, o limite de que precisa para ser e sem o qual deixando de ser, vira licença. O que ameaça a liberdade é o arbítrio que, despótico, se faz autoritarismo.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“Eu me sinto responsável diante da leitura de milhares de pessoas, de milhões, hoje, no mundo, que me leem. Eu não posso estar dizendo que basta querer para mudar, pois não é verdade. Sem querer, não há mudança, mas só o querer também não muda. O que eu tenho que fazer é mostrar no que eu escrevo, tão claro quanto eu possa, que é preciso arriscar. Mas até para arriscar é preciso pensar, é preciso ter medo. Contudo, para ter medo é preciso ter coragem e a coragem não existe distante do medo. A coragem é o medo educado.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“porque há um equívoco, muita gente quando ouve falar em profeta fica pensando que se trata de gente maluca, de gente doida, suja, que vive fazendo discursos. Não! O profeta ou a profetisa é exatamente quem, por viver intensamente o hoje, adivinha o amanhã. Eu usei o adivinhar propositadamente para valorizar um pouco a tarefa de adivinhar na epistemologia. Eu acho que conhecer não é adivinhar, mas passa também pela adivinhação ou pela intuição, para a gente ser mais cortês. O profeta é exatamente esse cara que não tem nada de doido, que tem é uma profunda raiz no hoje que ele briga pra transformar. E é exatamente essa práxis atolada no hoje que o faz, compreendendo o passado, prever, antever o futuro, porque ele sabe que o futuro, afinal de contas, se faz é no hoje que se transforma.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“Há olhares que fuzilam, que obstruem o outro; palavras que têm a intenção de matar o outro, matam pior do que a bala, porque a bala mata mesmo, o outro fica morto em vida.”
Paulo Freire em Pedagogia da Tolerância
“Você não consegue fazer o ser humano ser bom por lei.”
Luiz Felipe Pondé,
no Café Filosófico, na Cultura
“O amor se desdobra como excelência. Padre Antônio Vieira narrou uma parábola mais ou menos assim: “Certo homem saiu para caçar antes do alvorecer. Ao longo do dia, tentou alvejar vários animais. Errou todos os dardos. Ruim de pontaria foi mal sucedido em abater um bicho que alimentasse a família. Triste, voltou para casa no crepúsculo. A poucos metros da porta da choupana, deparou-se com uma cena desesperadora. Uma cobra se enrolava no pescoço do filho. Sem hesitar, o caçador retesou o arco e mirou a flecha. A cabeça da serpente estava perigosamente próxima do filho. Desta vez, acertou em cheio. E salvou a vida do filho. O que fez o pai para atingir a cabeça da áspide, se era péssimo caçador, ruim de pontaria? Como o homem se fez exímio no arco e flecha?”. O próprio jesuíta responde: “O amor”. A vida do filho corria risco.
O amor cria especialistas. Excelência nasce do afeto. As pessoas se tornam criteriosas por conta do seu bem querer. Quem ama não aceita a lógica do “de qualquer jeito” – aliás, detesta “jeitinho”. No carinho reside a meticulosidade. Cuidado refina atitudes. Os amantes não se importam em caminhar milhas extras. Quem aprecia transforma decisões banais em imperativos. Esmero e amor se irmanam.”
Ricardo Gondim
“o amor é o que há de mais trágico no mundo e na vida; o amor é filho da ilusão e pai da desilusão; o amor é a consolação na desolação, o único remédio contra a morte, da qual ele é irmão.”
Miguel de Unamuno
“Se as montanhas fossem de papel
se a água se transformasse em tinta
e as estrelas em escribas
se todo o vasto mundo quisesse escrever
ninguém chegaria ao fim
do testamento do meu amor“
cantarola Jaroslav
em A Brincadeira, de Milan Kundera
“Sei também que, se atravessasse essa fronteira, deixaria de ser eu, viraria outra pessoa, não sei quem, e isso, essa terrível mutação me assusta, é por isso que procuro um amor, com a obstinação do desespero procuro um amor em que possa viver tal como sempre fui, tal como sou ainda, com meus velhos sonhos e meus ideais, pois não quero que minha vida se quebre ao meio, quero que ela continue sendo uma só de ponta a ponta”.
Milan Kundera em A Brincadeira
Sei que Deus mora em mim como sua melhor casa.
Sou sua paisagem,
sua retorta alquímica
e para sua alegria
seus dois olhos.
Mas esta letra é minha.
Adélia Prado
Minha fé de que a morte não terá a última palavra é tão inexplicável quanto a própria morte.
Laion Monteiro
Não, eu não busco uma resposta. Procuro, apenas, melhorar a qualidade da minha dúvida.
Louise Madeira
Ricardo Gondim
Os humanos desejam. A vida rodopia no verbo querer. Porque desejam, pessoas fazem escolhas. Volição ou livre arbítrio, um dos nós que a filosofia nunca conseguiu desatar completamente, é a maior riqueza da humanidade. A psicanálise diz que desejo é pulsão – energia de onde vem o apetite. Tesão. Embora pareça chulo, tesão comunica bem essa força chamada desejo.
Pulsões tanto geram vida com arrastam para a morte. As pessoas dizem sim porque se sentem fascinadas. Anseiam pelo que traz vida. Apetite de morte produz medo. Rejeições, portanto, nunca começam com moralismo. Sempre que alguém recusa algo, quer fugir da morte; tenta evitar Tânatos – sua personificação. Desejo e aversão nascem dessas pulsões que em si não são certas ou erradas. Nas pulsões, inexiste o “pode, não pode”. A energia vital do desejo engatilha outro processo: “quero, não quero”. Daí, desejo, vontade e liberdade andarem juntos.
No império das decisões, todos são deuses. Quando a escolha é feita, nada e ninguém consegue reverter. O rei tapa os ouvidos depois que declara guerra. O general pode aconselhar, mas suas recomendações cairão como semente em terreno duro. Se o rapaz resolve cortejar a donzela, de nada valerá pais, sacerdotes, profetas ou psiquiatras advertirem. Romeu e Julieta correrão todos os riscos.
Amor reduz, inclusive, alternativas. Quanto maior a cordialidade, maior a disposição de prestar atenção. Amor evita distrair-se.
Amantes se desarmam. Aquele que quer bem se abre para o que aprecia. Ternura destranca preconceito. O pai não se irrita de repetir e o filho não se zanga de ouvir as mesmas histórias.
Quem ama olha fixo – evita o soslaio, como Machado de Assis sugeriu a respeito de Capitu. Vista segura escancara a comunicação entre diferentes. Desejo gera apetite de ouvir o que antes soava estranho. Pela felicidade da amada, o namorado aprende um novo idioma. O amor que deslumbra possibilita a novidade.
Ninguém converte ninguém. Quando coração rejeita, toda racionalidade rui, impotente. Argumentos antipatizados se desmancham antes da mente percebê-los; vão para o lixo, rechaçados, não pelo intelecto, mas pelo coração. Com animosidade, a comunicação cessa. Para um coração endurecido, de nada serve acenar com fogo do inferno ou com o cenho franzido de Deus. Ameaça constrange, subjuga, mas só consegue inviabilizar o diálogo.
Pedagogia começa com amizade. Sensibilidade para aprender deve vir precedida de boa vontade. Sabedoria carece de ambiente sereno. O bom professor precisa ser querido. Graça vem antes da verdade. Na aprendizagem, tato antecede argumento, credibilidade antecipa explanação e só ternura dissipa dúvida. Aprender necessita do verbo desejar.
Para começo de conversa, a receita é amar.
Soli Deo Gloria
Insuficiência das palavras, na dor, só o abraço se faz eloquente.
Laion Monteiro
Esperar que o outro faça para fazer é conformismo. Toda opinião corajosa é uma mistura de solidão e liberdade.
Fabrício Carpinejar
Assim ela se despedia de sua virgindade, sobre as folhagens, aquecendo as plantas e a terra com seu próprio sangue.
Laion Monteiro
“O relacionamento entre o compromisso e a dúvida não é, de modo algum, antagônico. O compromisso mais saudável não é o que está livre de dúvidas, mas o que existe apesar delas. Acreditar completamente, e duvidar ao mesmo tempo, não é contraditório: pressupõe maior respeito pela verdade e a certeza de que ela ultrapassa tudo o que pode ser dito ou feito num determinado momento. Toda tese tem a sua antítese, e toda antítese uma síntese. A verdade, portanto, é o processo eterno.”
Rollo May em A Coragem de Criar
“As pessoas que se dizem absolutamente convencidas de que o seu ponto de vista é o único certo são perigosas. Essa convicção é a essência, não só do dogmatismo, mas do seu parente mais destruidor, o fanatismo. Bloqueia o acesso do indivíduo à verdade, e revela a dúvida inconsciente. O indivíduo vê-se obrigado a multiplicar os seus protestos, não só para acalmar a oposição, mas as próprias dúvidas inconscientes.”
Rollo May em A Coragem de Criar
“Em nossa sociedade, é mais fácil desnudar o corpo do que a mente ou o espírito; mais fácil compartilhar o corpo do que as fantasias, desejos, aspirações e temores, pois estes são assuntos privados, cuja revelação nos torna mais vulneráveis. Por estranhas razões, envergonhamo-nos de compartilhar o que realmente importa. E, assim, as pessoas isolam o edifício mais “perigoso” de um relacionamento, indo imediatamente para a cama. Afinal de contas, o corpo é um objeto e pode ser tratado como tal.”
Rollo May em A Coragem de Criar
O rio é a infância do mar.
Laion Monteiro
“Precisamos de um novo tipo de coragem, que não se expresse em desmandos de violência e que não dependa de afirmar o poder egocêntrico sobre as outras pessoas. Sugiro uma nova forma de coragem corporal: o uso do corpo, não para o desenvolvimento exagerado de músculos, mas para o cultivo da sensibilidade.”
Rollo May em A Coragem de Criar
Ela sozinha sobre a cama ardia de silêncio prazeroso, úmido. Nua, era como uma cidade cortada por um rio.
Laion Monteiro
“Gostaria tanto de me abandonar, de esquecer de mim mesmo, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca…”
Jean-Paul Sartre em A Náusea
Os afetos que nos atravessam o corpo fazem também a pele acumular lembranças. Ela sofreu tanto que ansiava isso: uma pele sem memória.
Laion Monteiro
Quem exige de si e de outros o ideal, sem levar em conta o possível, se torna autoritário e até mesmo cruel. Entre o que somos e o que deveríamos ser, há o que podemos ser. A distância entre o que podemos e deveríamos ser é o espaço do perdão.
Jung Mo Sung
Nossa biografia não é totalmente baseada em fatos reais. Tem muitos imaginados não vividos, que a gente tem certeza que viveu. Lindas lendas.
Louise Madeira
Criacionismo: verdade ou mito?, isto é ou intelectualmente desonesto, ou ignorante. Mito não é sinônimo de mentira, é metafórico, poético. O mito é uma forma, entre tantas, no progresso intelectual humano de descrever valores, crenças e verdades.
Elienai Jr.
“Aquilo que um homem diz, promete e decide na paixão deve depois sustentar na frieza e na sobriedade – tal exigência é um dos fardos que mais pesam sobre a humanidade.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“É um novo passo rumo à independência, ousar expressar opiniões que são tidas como vergonhosas para quem as possui; também os amigos e conhecidos costumam ficar receosos. A pessoa dotada deve passar também através desse fogo; depois disso pertencerá muito mais a si mesma.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
A Priscila Seabra
Tenho fome intermitente de sentido,
e percorro todas as ruas de mim
aqui, nessa sala onde o relógio não para:
meu jardim seco e em transe.
Cansei de olhar os objetos e por eles
ser olhado despudoradamente
porque conhecem de mim o que
de mim ninguém sabe.
E essa ausência do verbo,
o calor do próprio silêncio,
fazem aqui tudo sangrar à minha volta.
Antes de me entregar a esse banho
baixo o olhar e, no fundo de mim, vejo você:
essa lembrança que transforma o sangue em flores.
Laion Monteiro
“a maior parte do que os jovens pensam não brota da plenitude de sua natureza, mas ressoa e ecoa o que foi pensado, falado, elogiado e censurado ao seu redor.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“Ninguém fala com mais paixão de seus direitos do que aquele que no fundo da alma tem dúvida em relação a esses direitos.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“Quem sente que exerce grande influência interior sobre alguém deve lhe dar rédea solta, e mesmo gostar de ver e até induzir uma eventual resistência: de outro modo, criará inevitavelmente um inimigo.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“A primeira opinião que nos ocorre, quando repentinamente somos indagados acerca de algo, não é geralmente a nossa própria opinião, mas sim aquela corrente, de nossa casta, posição ou origem: é raro as opiniões próprias ficarem perto da superfície.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“Quem publicamente se propõe grandes metas e depois percebe, privadamente, que é fraco demais para elas, em geral também não possui força bastante para renegar em público aqueles objetivos, e inevitavelmente se torna um hipócrita.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
“Uma pessoa se atém a uma opinião porque julga haver chegado a ela por si só; outra, porque a adquiriu com esforço e está orgulhosa de tê-la compreendido: ambas, portanto, por vaidade.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano
Amor é substantivo. Amar é verbo. Substantivos abstratos são o que a própria definição aponta: inconsistentes, vagos, voláteis. Amor é sentimento ansioso por vertebrar-se. Verbos são todos concretos. O amor, se não virar ação, permanece verbete, fria definição de algum dicionário. Talvez palavra frívola dos folhetins baratos. Amor, para ser verdadeiro, precisa desdobrar-se em compromisso – e adquirir tato.
O cotidiano, a rotina, a mesmice, conspiram contra o amor gerado por sentimentos momentâneos. Emoções efêmeras não sobrevivem à tritura da repetição. O dia a dia, porém, solidifica o amar compromissado. A cada instante, momentos delicados do viver se misturam aos hábitos. Só com o tempo a declaração “eu te amo” ganha significado.
Amar aceita a imperfeição – não só a tolera. Os apaixonados são todos iludidos. Os amantes atravessam o largo canal que separa as idealizações das pessoas verdadeiras. No amar, o outro é celebrado com menos distorção. Quando se ama, perdoar perde a força de controle – ambos se sabem carentes de compreensão.
Amar é descobrir, de mãos dadas, a beleza de viver. A dor, descobrimos sozinhos. Alegria precisa de companhia. Alguns momentos só valem quando partilhados. Não tem graça fazer churrasco no quintal sem riso e sem conversa. Ou beber o melhor vinho sem amigo para brindar. Ou contemplar uma linda paisagem sem poder comentar. Ou repartir a alegria de ver uma criança sorrindo.
Ricardo Gondim
A Páscoa diz que você pode por a verdade em uma sepultura, mas ela não ficará lá.
Clarence W. Hall
“O mais inequívoco indício de menosprezo pelas pessoas é levá-las em consideração apenas como meio para nossos fins, ou não considerá-las absolutamente.”
Nietzsche em Humano, demasiado humano