Uma antiga história hindu

“Existe uma antiga história hindu: Um grande rei construiu um palácio, e as paredes eram revestidas de espelhos, milhões de espelhos. Entrar nesse palácio era maravilhoso. Você podia ver seu rosto em milhões de espelhos à sua volta; milhões de você à sua volta. Podia pegar uma vela – e milhões de velas; uma pequena vela ficava refletida em milhões de espelhos, e todo o palácio ficava completamente iluminado por uma pequena vela.
Uma noite aconteceu, por acaso, que um cão entrou ali. Olhou em torno e ficou muitíssimo assustado – milhões de cães! Ficou tão apavorado que se esqueceu completamente da porta por onde entrara. Naturalmente, com milhões de cães à volta – a morte era certa. E começou a latir – e milhões de cães começaram a latir. Ficou agressivo – e milhões de cães ficaram agressivos. E se atirou contra as paredes. Pela manhã, foi encontrado morto. E não havia ninguém, exceto o próprio cão.
E esta é a situação de todo o mundo. Você late, luta, ama, faz amigos e inimigos, e cada pessoa funciona como um espelho para você. Tem que ser assim. A menos que você desperte e compreenda quem você é, continuará a ver no espelho dos outros o seu próprio reflexo – a fazer amor com seu próprio reflexo e a lutar contra seu próprio reflexo. O ego é absolutamente masturbatório. É uma verdadeira masturbação – fazer tudo para si mesmo através de seus próprios reflexos.”

Osho em Antes que você morra

Contra a verdade não existe vitória

“Esse é o problema com todas as pessoas. Você sabe de muitas coisas, mas ainda quer fingir diante delas. E não há possibilidade de vencer a verdade; ninguém pode ser vitorioso. Você ainda pode tentar por muitas vidas mais, […] mas contra a verdade não existe vitória. A vitória está sempre com a verdade. Você pode criar ilusões, pode viver de olhos vendados, num mundo de sonhos, pode viver de olhos fechados, mas isso não faz diferença – seu mundo fictício é fictício, e a verdade está esperando ali. E quanto mais você viver na ficção, mais terá medo de que ela seja despedaçada. Essa é a conveniência.”

Osho em Antes que você morra

De içar voo

o coração aperta,
os dedos encolhem,
a mão não alcança.

cega de tato,
e imprecisa de si mesma,
não iça voo.

conclui-se não de um todo,
mas de metade ser;

há falência.

pena-se, então, em eminência
à beirar o cume,

tocar o outro,

esse é
o bater das asas.

Marlon Oliveira

Não há em mim amor, nem desejo de amor

“E ele é sempre o mesmo, apenas se tornou mais funda a ruga que tem entre as sobrancelhas, possui mais cabelos grisalhos nas têmporas, mas o seu olhar profundo e atento está continuamente afastado de mim por uma nuvem que o tolda. Eu sou a mesma, porém não há em mim amor, nem desejo de amor. Não há necessidade de trabalho, nem satisfação comigo mesma. E parecem-me tão distantes e impossíveis os antigos êxtases religiosos, o antigo amor por ele, a antiga plenitude da existência. Eu não compreenderia agora aquilo que antes me parecia tão claro e justo: ser uma felicidade viver para outrem. Por que para outrem, quando não se tem vontade de viver mesmo para si?”

Tolstói em Felicidade conjugal