Chove. A água busca o chão sem temor.
Laion Monteiro
Chove. A água busca o chão sem temor.
Laion Monteiro
“se a pessoa procurar anular o self na busca da verdade, se pretender chegar às suas conclusões como um juiz desencarnado, que tudo fiscaliza do alto do Olimpo, será vítima de uma ilusão ainda maior. Admitindo que sua verdade seja absoluta e não influenciada por interesses pessoais, em vez de julgá-la como sua maneira mais sincera de se aproximar da verdade, talvez venha a tornar-se perigosamente dogmática. Somente questões técnicas podem ser exatas quando abstraídas das necessidades imediatas, desejos e lutas dos seres humanos nelas envolvidos. Na verdade, uma das maneiras mais comuns de se evitar distinguir a verdade – a especial forma de “resistência” em geral usada por intelectuais submetidos à análise – é transformar o problema num princípio abstrato e lógico, racionalizando com inteligência e chegando a uma conclusão ótima na aparência e, portanto, fascinante. Contudo, mais tarde descobre-se que toda aquela brilhante racionalização não resolveu na verdade o problema; era precisamente um modo de evitá-lo.”
Rollo May em O homem à procura de si mesmo
“Buscar a verdade é sempre correr o risco de descobrir o que se detestaria ver.”
Rollo May em O homem à procura de si mesmo
“Definimos vaidade e narcisismo como a necessidade compulsiva de ser elogiado, ser amado: para tal as pessoas renunciam à coragem. Quem é vaidoso e narcisista parece superficialmente se proteger, não assumindo riscos e agindo em outros sentidos como um covarde, por pensar demasiado bem de si mesmo. Na verdade, porém, dá-se exatamente o oposto. Precisa preservar-se como um artigo com o qual comprará o elogio e os favores de que necessita, precisamente porque sem os elogios dos pais se sente pessoa sem valor. A coragem emerge do senso da própria dignidade e da autoestima; e a pessoa não é corajosa quando não tem um bom conceito de si mesma. Quem exige que os outros digam continuamente: “Ele é tão simpático”, ou tão inteligente, ou tão bom; ou “Ela é linda”, cuidam de si mesmos não porque se amem, mas porque o rosto bonito, a inteligência, ou o comportamento cortês são meios de obter aprovação. Isto conduz ao desprezo de si mesmos; e assim muitas pessoas dotadas, cujas qualidades conquistaram pública aprovação, confessam em particular que se sentem impostoras.”
Rollo May em O homem à procura de si mesmo
“Em qualquer discussão sobre a integração de religião e personalidade, o importante não é saber se a própria religião contribui para a saúde ou a neurose, e sim que espécie de religião e como é usada. Freud estava errado ao sustentar que religião é por si uma neurose compulsiva. Algumas são, outras não. Qualquer setor da vida pode ser utilizado como neurose compulsiva: a filosofia pode ser uma fuga da realidade para um “sistema” harmonioso, proteção da ansiedade e das desarmonias do dia a dia, ou pode ser um corajoso esforço para compreender melhor a realidade. A ciência pode ser utilizada como fé rígida e dogmática, por meio da qual a pessoa foge à insegurança emocional e às dúvidas, ou pode ser uma busca sincera de novas verdades. Desde que a fé na ciência tem sido mais aceitável nos círculos intelectuais de nossa sociedade e está, portanto, menos apta a ser questionada, é bem possível que em nossos dias esta fé represente com mais frequência o papel de fuga compulsiva das incertezas do que a própria religião. Freud, contudo, estava tecnicamente certo ao fazer a pergunta correta em relação à religião: ela aumentará a dependência e manterá o indivíduo infantilizado?”
Rollo May em O homem à procura de si mesmo
Grandeza: quem está superior numa relação desigual de forças e se conduz como se houvesse igualdade.
Ricardo Gondim
“Todo ser humano adquire grande parte do senso de sua própria realidade pelo que os outros dizem e pensam a seu respeito. Mas quem foi longe demais nessa dependência alheia acabou temendo que se ela faltasse perderia o senso de sua própria existência, ficaria “disperso”, como água escorrendo na areia. Muita gente vive assim, tateando como cego, tocando uma sucessão de pessoas.”
Rollo May em O homem à procura de si mesmo